CRATO: POLÍTICA NÃO FOI FEITA PARA AMADORES

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Marcos Peixoto

Muitas vezes fico a observar a falta de destreza, habilidade e, sobretudo, de visão política de alguns personagens da política cratense. Há quem tome a decisão de atacar adversários sem ter a mínima noção do que essa postura poderá representar mais adiante em sua própria trajetória. Atiram para todos os lados, verbalizam contra quem estiver pela frente e transformam em inimigo qualquer um que ouse pensar diferente.

Eis um dos grandes equívocos de quem pretende construir uma carreira na vida pública: acreditar que política se faz apenas no calor do confronto e na força do discurso.

Alguns entram em rota de colisão com lideranças poderosas, detentoras de prestígio estadual e nacional, esquecendo-se de que essas mesmas lideranças dispõem não apenas de força política e estrutural, mas também de uma enorme quantidade de seguidores e simpatizantes. A partir daí, cada ataque produz uma reação. E aquela hostilidade dirigida a uma liderança acaba despertando, entre seus apoiadores, sentimentos de rejeição contra quem promoveu a agressão.

Há ainda outro aspecto que muitos parecem não compreender.

O eleitor não é uma peça imóvel no tabuleiro político. Existem aqueles que acompanham determinada liderança nas eleições majoritárias, mas possuem absoluta independência na hora de escolher seus candidatos nas disputas proporcionais. São eleitores que poderiam, inclusive, votar em alguém situado no campo político oposto ao de sua principal liderança.

Mas aí entra a falta de habilidade.

Aquele eleitor que até nutria simpatia por determinado candidato começa a recuar quando percebe que ele constrói sua campanha à base de ataques contra uma liderança de quem gosta ou em quem confia. Não necessariamente porque concorde com tudo o que essa liderança faz, mas porque passa a enxergar no agressor alguém incapaz de conviver com as diferenças e de tratar adversários com a elegância necessária ao exercício da política.

É aí que a agressividade começa a cobrar sua conta.

Tenho a impressão de que alguns políticos tentam reproduzir o estilo hard de Ciro Gomes, como se contundência verbal fosse sinônimo de liderança ou coragem política. A trajetória do próprio Ciro, entretanto, deveria servir para uma reflexão mais cuidadosa. Trata-se, indiscutivelmente, de um político inteligente, experiente e de grande capacidade intelectual, mas seu permanente enfrentamento com adversários também acumulou rupturas, ressentimentos e dificuldades para ampliar seu campo de alianças.

Não chegou à Presidência da República, apesar das várias tentativas, e agora, de volta à disputa pelo Palácio da Abolição, enfrenta novamente o desafio de reconstruir pontes num ambiente político profundamente modificado.

E, quando faltam pontes, sobram confrontos.

Os destemperos verbais acabam evoluindo para acusações cada vez mais pesadas, maledicências e denúncias que, quando não acompanhadas de provas consistentes, produzem muito barulho, mas pouco resultado político. Pior: podem consolidar uma imagem negativa justamente entre parcelas do eleitorado que poderiam estar abertas ao diálogo.

É por isso que determinadas figuras, mesmo reunindo qualidades e tendo potencial para prosperar na vida pública, acabam vendo seus projetos interrompidos. Não necessariamente por falta de votos, inteligência ou disposição, mas por algo aparentemente mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais difícil de adquirir: tato político.

Política exige coragem, evidentemente. Exige firmeza, posições claras e disposição para o enfrentamento quando necessário. Mas exige também inteligência emocional, capacidade de diálogo e, principalmente, visão de futuro.

O adversário de hoje poderá ser o aliado de amanhã. O eleitor que hoje está no campo adversário poderá votar em você na próxima eleição. E a ponte destruída numa tarde de discursos inflamados poderá fazer uma enorme falta alguns anos depois.

Na política, portanto, não basta saber atacar. É preciso saber a hora de falar, a hora de silenciar, a hora de enfrentar e, sobretudo, a hora de construir pontes.

Afinal, como costumava dizer o ex-governador Virgílio Távora, política não foi feita para amadores.

E vale recordar outra máxima atribuída ao saudoso político cearense: “A política é uma amante cara. Caríssima!”

Talvez alguns somente descubram o verdadeiro preço dessa amante depois que a conta chegar.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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