

Todos aqueles que me acompanham aqui no Blog CARIRIEISSO não podem negar que este colunista, do alto de sua experiência acompanhando eleições estaduais e municipais, sempre sustentou que, no Ceará, não havia motivos concretos para se pensar em mudança política.
E por quê? Porque o bloco que atualmente comanda a política cearense continua agradando a uma parcela expressiva da população pela maneira especial, fraterna, desenvolvimentista e progressista com que vem conduzindo o Estado e tratando a coisa pública.
Então, pergunto: mudar por quê? Por que mudar?
O principal personagem que hoje se apresenta propondo essa mudança, até outro dia, fazia parte do mesmo grupo que está no poder e que ele próprio ajudou a construir. Durante anos esteve no mesmo campo político daqueles que agora combate. Portanto, é natural que o eleitor se pergunte onde está, afinal, a grande novidade dessa proposta.
Além disso, essa mudança está ancorada numa união com setores políticos que, há mais de uma década, tentam convencer a população cearense de que representam uma alternativa de poder e, eleição após eleição, não conseguem chegar ao Palácio da Abolição.
Tasso Jereissati, apoiando a candidatura do general Theóphilo, não conseguiu vencer. Capitão Wagner, em sua candidatura ao Governo do Estado em 2022, também foi barrado no baile político. Roberto Cláudio, que hoje integra novamente o mesmo campo político de Ciro Gomes, também foi derrotado por Elmano de Freitas na última eleição estadual.
Daí se pode compreender por que essa proposta de mudança, agora reunindo personagens que estiveram em campos diferentes em eleições anteriores, encontra dificuldades para empolgar parte significativa do eleitorado cearense.
E agora, com pesquisas começando a apresentar um cenário cada vez mais favorável a Elmano e desfavorável a Ciro, me aguardem!
Como diz o velho ditado, quando o navio começa a afundar, os primeiros movimentos de desembarque não demoram a aparecer. E acredito que será exatamente isso que começaremos a observar no campo cirista: aliados repensando posições, lideranças recalculando rotas e aquela confiança inicial dando lugar à preocupação.
Vamos acompanhar, portanto, a possível desidratação política da candidatura oposicionista.
O que me causa certa tristeza é assistir ao desmoronamento político de Ciro Gomes, um homem que teve tudo para construir um final de trajetória muito diferente. Inteligência, experiência administrativa, conhecimento do Brasil, capacidade de comunicação e uma longa história na vida pública nunca lhe faltaram.
Mas suas escolhas políticas, seu temperamento e, na minha avaliação, uma boa dose de egocentrismo acabaram conduzindo sua trajetória para um caminho cada vez mais complicado.
É penosa a situação política de Ciro Gomes. Mas, como dizia o saudoso Raimundo Bezerra, do alto de sua intelectualidade: cada um termina encontrando o desfecho que suas próprias escolhas ajudam a construir.
E vamos que vamos, porque eleição é assim: um dia é uma fotografia; no outro, o filme já pode ser completamente diferente.
Sorry, periferia política!!!!!







