

Cantor Paulinho com a esposa Jô Garcia, Adriano Bluhm Parente e sua amada spouse Paula Isabela em ato pró Lula na cidade do Crato.
Esta minha aproximação amistosa com os ideais esquerdistas tem uma razão de ser, uma história bonita, carregada de saudades, gratidão e, sobretudo, de ensinamentos que trago comigo até os dias de hoje.
No fervor de minha adolescência, tive a felicidade de me aproximar do saudoso político cratense Raimundo Bezerra e de sua encantadora família. Foi uma daquelas amizades que a vida nos proporciona e que o tempo, por mais implacável que seja, jamais consegue apagar. Daí começamos uma caminhada política que tinha como propósito transformar aquele homem íntegro, de princípios inabaláveis e espírito público extraordinário, em um dos grandes nomes da política cearense e brasileira.
Primeiramente, elegemos Raimundo Bezerra deputado estadual. Sua atuação na Assembleia Legislativa do Ceará foi tão brilhante que o caminho natural seria levá-lo à Câmara dos Deputados. E assim aconteceu!
Tive o privilégio de trabalhar como seu assessor na ALECE. Ah, meus queridos, que tempos maravilhosos! Foi ali que adquiri meus primeiros conhecimentos sobre os bastidores da política, aprendendo com aquele homem que era perfeitamente possível exercer a atividade pública com dignidade, honestidade e respeito ao patrimônio do povo. Uma lição e tanto, especialmente numa seara em que tantos confundem o dinheiro público com suas próprias contas bancárias. Arre égua!
Raimundo Bezerra chegou à Câmara Federal para participar de um dos momentos mais importantes da história brasileira: a elaboração da Constituição Federal de 1988. Como deputado constituinte, integrou aquela histórica Assembleia Nacional Constituinte que devolveu ao povo brasileiro direitos, garantias e esperanças depois de tantos anos de autoritarismo.
E não foi um constituinte qualquer, não, senhor! Raimundo participou daquele grandioso momento democrático, deixando sua contribuição para a construção de um Brasil mais justo, humano e comprometido com os direitos sociais. Entre as causas que marcaram sua trajetória estava a defesa da saúde pública, que culminaria na criação do Sistema Único de Saúde, o nosso SUS.
Enquanto isso, este colunista permaneceu no Crato, dando início, de fato, à sua carreira jornalística. Mas jamais me afastei afetivamente daquele amigo, conselheiro e mestre político.
Infelizmente, por circunstâncias e desencontros políticos da época, Raimundo Bezerra não conseguiu renovar seu mandato de deputado federal. Mas quem nasceu para servir ao povo não abandona a luta diante de uma derrota eleitoral. Continuou sua caminhada até conquistar a Prefeitura do Crato, recebendo das mãos do eleitorado as chaves do Palácio Alexandre Arraes.
Quis, entretanto, o destino que, no decorrer daquele mandato, o Misericordioso o chamasse para junto de Si. Partia deste mundo terreno um homem extraordinário, deixando uma lacuna imensa na política cratense e uma saudade que até hoje aperta o coração daqueles que tiveram o privilégio de desfrutar de sua amizade.
Mas por que estou trazendo de volta essas recordações tão especiais?
Simplesmente porque me emocionei com uma manifestação de sua filha, a querida Paula Isabela, que, ao comemorar a vitória do presidente Lula, fez questão de dedicar aquele momento à memória de seu saudoso pai.
E vejam vocês que declaração bonita, carregada de sentimento, consciência política e amor filial:
“É com o coração leve e a sensação de dever cumprido que termino o segundo turno, feliz e consciente de que sempre estive do lado certo.
Obrigada, presidente Lula, por nunca ter soltado a nossa mão!
Lutei por tantas causas que considero importantes para o nosso povo, mas, no fundo, luto por uma causa que representa a memória do meu pai, Raimundo Bezerra, deputado federal constituinte e um dos idealizadores do SUS.
Por suas lutas e prisões durante a ditadura, meu voto também é pela democracia. Viva o Brasil Soberano, BORA LULA!”
Que coisa mais linda, minha gente!
Paula Isabela demonstrou, com essas palavras, que a herança mais preciosa que um pai pode deixar aos filhos não está nos bens materiais, nas contas bancárias ou nos patrimônios acumulados, mas nos exemplos de dignidade, coragem, coerência e compromisso com aquilo em que sempre acreditou.
E Raimundo Bezerra deixou exatamente isso!
Daí que, quando alguns amigos estranham esta minha simpatia por determinadas bandeiras defendidas pela esquerda brasileira, respondo com a maior tranquilidade dos deuses: minha formação política nasceu da convivência com um homem que fez da democracia, da justiça social e do respeito aos mais necessitados verdadeiras razões de sua existência.
Isso não significa concordar com tudo nem fechar os olhos para os equívocos de quem quer que seja. Significa, acima de tudo, reconhecer valores que aprendi a admirar ainda muito jovem.
E, ao ler a homenagem de Paula Isabela, tive a certeza de que Raimundo Bezerra continua vivíssimo, não apenas na memória política do Crato, mas no coração e nas convicções daqueles que herdaram seus ideais.
Parabéns, Paula Isabela! Seu pai, onde quer que esteja na morada celestial, certamente estaria orgulhoso de ver sua filha preservando aquilo que ele considerava sagrado: a democracia, a liberdade e o compromisso com o povo brasileiro.
Quanto a este colunista, resta agradecer ao destino por ter colocado Raimundo Bezerra em minha caminhada. Foi uma escola de vida, de política e de cidadania que universidade nenhuma conseguiria substituir.
Beleza pura! Sorry, periferia política!!!!






