A DEMOCRACIA BRASILEIRA MUDOU DE PALCO: DAS ELITES POLÍTICAS ÀS REDES E ÀS RUAS

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George Avelino
Folha

Mundo afora, a democracia é um sistema político que sempre funcionou bem enquanto o debate público foi regulado com a participação limitada a líderes partidários, políticos, jornalistas, intelectuais, sindicalistas etc, o que permitia a agregação da diversidade natural de interesses em sociedades complexas.

Nas eleições, cidadãos escolhiam suas elites políticas dentro do menu proporcionado. Essas, por sua vez, competiam dentro das regras do jogo, que garantiam um Estado limitado, de forma a reduzir os custos da derrota eleitoral, garantindo a possível alternância de poder e o processamento pacífico dos conflitos.

DESAFIO – O surgimento das redes sociais desafiou esse alicerce tradicional da democracia e permitiu que vozes antes com espaço bastante limitado no debate público pudessem ecoar. No passado, os partidos ofereciam o menu de propostas e candidatos; agora, as redes abriram espaço para novos grupos, cuja participação ainda é desorganizada e, muitas vezes, sem objetivos claros. Em alguns casos, eles se limitam apenas à destruição das instituições que fracassaram em incluí-los.

Como se adaptar a esse novo cenário foi o desafio das lideranças políticas que sustentaram a democracia brasileira desde 1985 e, sem conseguir se atualizar às novas formas de fazer campanha, aparentemente envelheceram. Assim, a vitória do presidente Lula pode ser explicada menos pelas lideranças tradicionais e mais pela intensa mobilização popular da última semana de campanha, só comparável à das Diretas Já, fundamental para a democratização do país há mais de 40 anos.

EXÉRCITO DIGITAL – A mobilização iniciada pelo movimento estudantil rejuvenesceu a campanha. André Janones (Rede-MG), outra liderança nova, comandou seu “exército” digital, consagrando as redes como recurso eleitoral relevante. O desafio agora é manter essa mobilização e adaptar a linguagem das redes –ainda simplória e virulenta– à proposição de políticas públicas. De qualquer forma, abriu-se uma janela para o uso delas a favor do campo democrático.

Também existem dilemas para o campo perdedor, que representa a outra metade do país. O primeiro é transformar o poder adquirido nas eleições para o Legislativo em algo menos rancoroso e mais propositivo. O segundo, relacionado ao primeiro, será substituir a liderança da família Bolsonaro em prol de uma ainda incipiente proposta de organização do campo conservador em moldes mais democráticos, algo inovador na história política do país.

Em suma, o resultado das eleições foi fruto sobretudo de um trabalho corpo a corpo, de quem saiu à busca de votos para defender a sua democracia. Oxalá as futuras disputas eleitorais possam ocorrer em ambiente mais construtivo, retomando o padrão clássico democrático em que a alternância de poder é vista como algo natural.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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