
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a manifestar publicamente sua discordância em relação às negociações para que o PL apoie a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará nas eleições deste ano. Em publicação feita nos stories do Instagram, Michelle compartilhou uma crítica ao ex-ministro e pré-candidato tucano, demonstrando mais uma vez resistência ao entendimento político em construção entre lideranças estaduais do Partido Liberal e o grupo de Ciro Gomes. As informações são do SBT NEWS.
Ao comentar a articulação, Michelle afirmou que a intenção do político cearense não seria apenas derrotar o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), mas atender a seus próprios interesses políticos no estado. “Já gravei um vídeo explicando o que aconteceu no Ceará e vou publicá-lo em breve”, escreveu.
A manifestação ocorreu após a divulgação de uma entrevista concedida por Ciro Gomes à revista Veja na sexta-feira (19). Questionado sobre a possibilidade de obter apoio do PL no Ceará, apesar das divergências que mantém com o partido em âmbito nacional, o tucano procurou separar o cenário estadual do debate nacional.
“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional. A questão básica é se é possível que a gente, com as nossas divergências nacionais, se acerte para um projeto de emancipar o Ceará da tragédia que o PT hoje representa em segurança pública, desenvolvimento, saúde. Aparentemente, está sendo viável”, declarou.
A divergência entre Michelle e setores do PL sobre o tema não é recente. Em dezembro do ano passado, dirigentes do partido no Ceará sinalizaram apoio à candidatura de Ciro Gomes, movimento que poderia inviabilizar projetos eleitorais de outros nomes da oposição no estado, entre eles o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Na ocasião, a articulação recebeu apoio dos filhos do ex-mandatário Jair Bolsonaro. Michelle, porém, manifestou posição contrária à iniciativa. “Eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família”, afirmou à época.
Após retornar ao PSDB, legenda pela qual governou o Ceará no início da década de 1990, Ciro Gomes chegou a ser cogitado como possível candidato à Presidência da República. A hipótese foi levantada pelo presidente nacional do partido, deputado Aécio Neves (MG), durante reunião da executiva tucana realizada em abril.
O ex-ministro, contudo, indicou que sua prioridade é a disputa pelo governo cearense e a reorganização de seu grupo político no estado, após os conflitos que marcaram o rompimento com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e também com seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB-CE).
Enquanto isso, Aécio Neves passou a conversar com partidos aliados sobre a possibilidade de disputar a Presidência da República pelo PSDB, em uma nova tentativa eleitoral após sua candidatura em 2014.




