

Eita! A classe política cearense anda pra lá de ouriçada com os desdobramentos das investigações que envolvem o deputado federal Yury do Paredão. O parlamentar, cuja maneira de operar politicamente sempre despertou atenções e controvérsias, enfrenta agora questionamentos que ultrapassam os limites das disputas partidárias e chegam à Justiça Eleitoral.
Pelo que se observa nos bastidores, o caso desperta interesse tanto entre adversários quanto entre integrantes do próprio campo político do deputado. Afinal, uma eventual cassação de mandato, acompanhada da retotalização dos votos para a Câmara Federal, poderá alterar a composição da representação cearense em Brasília.
Mas o buraco, pelo que consta das denúncias, é bem mais embaixo!
O Ministério Público Eleitoral aponta supostas irregularidades envolvendo a utilização de serviços de saúde com finalidade eleitoral, tendo como um dos personagens centrais o Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, em Barbalha, instituição tradicional e respeitada no Cariri.
Segundo a investigação, a chamada Carreta Conectados pela Cura, vinculada ao hospital, teria sido utilizada para oferecer consultas e exames gratuitos em ações supostamente direcionadas à promoção eleitoral de candidaturas. O equipamento teria concentrado atendimentos em Juazeiro do Norte, sem observar os procedimentos regulares de encaminhamento pelo SUS, conforme sustenta a denúncia.
E tem mais!
O MPE também questiona a participação do Instituto Dra. Yanny Brena, presidido por Márcia Araújo, mãe do deputado, nas ações de saúde. Segundo a acusação, a entidade teria recebido destaque na divulgação dos atendimentos, embora não houvesse contrato formal que justificasse sua participação.
A investigação menciona ainda recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao hospital. Entre os valores apontados estão pelo menos R$ 1,25 milhão em emendas individuais, além de convênios de R$ 2 milhões e R$ 3,1 milhões firmados em 2026. A apuração busca esclarecer se houve utilização indevida desses recursos e serviços para obtenção de vantagens eleitorais.
SUSPEITAS DE ENVOLVIMENTO DE FACÇÃO CRIMINOSA
Outro capítulo delicadíssimo diz respeito às informações reunidas pela Polícia Federal sobre a suposta participação de pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho em atividades de campanha.
Segundo o relatório mencionado na denúncia, um homem apontado como sucessor de uma liderança da organização criminosa no Cariri teria trabalhado na campanha do deputado, inclusive recrutando pessoas para atividades de campo.
Há também relatos de moradores do bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte, sobre supostas pressões e ameaças para direcionar votos. São acusações gravíssimas, que exigem apuração rigorosa e respeito ao direito de defesa dos envolvidos.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O Ministério Público Eleitoral pede, conforme a denúncia, a declaração de inelegibilidade de Yury do Paredão por oito anos, sob alegação de abuso de poder econômico e prática de conduta vedada a agente público.
A eventual cassação e retotalização dos votos, caso determinadas pela Justiça Eleitoral, poderão provocar mudanças na distribuição das cadeiras destinadas ao Ceará na Câmara dos Deputados.
E aí reside uma das razões para tamanha movimentação nos bastidores políticos. O caso deixou de ser apenas uma questão envolvendo um parlamentar e passou a despertar interesse de diferentes grupos que acompanham seus possíveis desdobramentos.
O certo é que esse sururu ainda promete muitos capítulos. De um lado, denúncias que precisam ser examinadas com todo o rigor da lei; de outro, o indispensável direito ao contraditório e à ampla defesa.
Enquanto isso, a política cearense acompanha atentamente cada movimento da Justiça Eleitoral.
E como costumo dizer, em política, quando a fervura começa, ninguém sabe exatamente até onde o caldo poderá entornar.
Alvíssaras!




