

O senador Rogério Marinho (PL-RN) terá pela frente uma tarefa das mais complicadas caso confirme sua candidatura à presidência do Senado Federal. Além de enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP), precisará administrar divergências dentro do próprio PL, partido que ainda tenta reorganizar suas forças após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026.
E olhem que Marinho já conhece o sabor de uma derrota nessa disputa. Em 2023, resolveu enfrentar Rodrigo Pacheco pela presidência do Senado e acabou perdendo a eleição. Agora, volta a movimentar os bastidores de Brasília, mas encontra um cenário político marcado por divisões até mesmo entre seus correligionários.
RACHA BOLSONARISTA – O problema é que nem todos os senadores ligados ao bolsonarismo estão dispostos a embarcar na candidatura de Rogério Marinho. Uma ala prefere a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também alimenta o desejo de presidir a Casa e conta com o apoio da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF).
Tereza, aliás, não esconde suas pretensões. Em declaração ao G1, reafirmou o desejo de se tornar a primeira mulher a comandar o Senado, lembrando que ainda há tempo para muitas articulações até fevereiro.
Nos bastidores, parlamentares do próprio PL defendem uma postura menos confrontadora e consideram mais prudente buscar um entendimento com Davi Alcolumbre antes de lançar uma candidatura que possa aprofundar as divisões.
O PESO DE FLÁVIO – Outro ingrediente dessa disputa é a influência de Flávio Bolsonaro sobre Rogério Marinho, que coordenou sua campanha presidencial. Entre oposicionistas, circula a avaliação de que a recente carta de Flávio, na qual inicialmente se apresentou como presidente eleito, teria provocado desgaste político e repercutido negativamente nas articulações do senador potiguar.
Há também quem questione até que ponto Marinho teria autonomia política para comandar o Senado sem a interferência direta do núcleo bolsonarista.
ALCOLUMBRE SE MOVIMENTA – Enquanto isso, Davi Alcolumbre trabalha nos bastidores para consolidar sua permanência no comando da Casa. Segundo interlocutores, já contaria com os 41 votos necessários à eleição, embora essa contabilidade ainda dependa de confirmação nas urnas.
O presidente do Senado também procura ampliar o diálogo com parlamentares de diferentes correntes políticas, inclusive integrantes do PL. Sua palavra de ordem tem sido a pacificação, numa tentativa de evitar que a eleição da Mesa se transforme em mais um capítulo da polarização nacional.
E AGORA, MARINHO? – O fato é que a disputa pela presidência do Senado vai muito além de uma simples escolha entre dois nomes. Estão em jogo o espaço político da oposição, a capacidade de articulação dos partidos e o relacionamento do Legislativo com o novo governo Lula.
Rogério Marinho terá de decidir se insiste numa candidatura própria, mesmo diante das resistências internas, ou se participa de uma composição mais ampla.
Uma coisa, porém, merece atenção: em Brasília, onde os acordos frequentemente falam mais alto que os discursos, ninguém chega à presidência do Senado apenas com a força de seu partido. É preciso conversar, negociar e, sobretudo, reunir votos.
E nessa matemática política, a divisão dentro da própria legenda é um problema que Rogério Marinho não poderá ignorar.




