
Ao tentar reinventar a política, no que chamava de nova política, o governo de Jair Bolsonaro acabou se configurando numa oportunidade perdida pela direita para fazer o Brasil avançar em questões econômicas, institucionais e em educação, defende o economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre.
“Eu adoraria que as nossas instituições fossem outras e que o Centrão fosse outro, mas a gente tem isso. Um governo de direita tem uma facilidade que o presidente Lula não tem. Ele tem um Congresso ideologicamente próximo a ele”, afirmou, durante debate promovido pelo Estadão, para discutir caminhos para o próximo mandato presidencial. “Perdemos uma oportunidade com o governo de Jair Bolsonaro de ter um governo de direita de boa qualidade.”
Pessôa defende que o governo anterior perdeu a chance de promover parcerias entre o setor privado e público na educação, algo que as esquerdas não defendem. Também participante do debate, Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras, também considera que a questão ambiental foi administrada tragicamente pelo governo Bolsonaro.
Já na área econômica, entre as principais falhas, ele cita a não aprovação da reforma tributária, a entrega de fatias ainda maiores do Orçamento ao Congresso e a perpetuação do Auxílio Emergencial, que, segundo ele, resultou em “uma política populista e eleitoreira desastrosa”.
Pessôa defende, no entanto, que a gestão econômica do ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, não foi ruim. Segundo ele, o Brasil teve uma recuperação mais rápida da pandemia do que outros países da região e também apresentou melhora nas contas fiscais.





