
Carlos Newton

Kassab é uma espécie de termômetro da política nacional
Nesta sexta-feira, dia 7, analisamos aqui na Tribuna da Internet a manipulação das pesquisas para que o segundo turno seja entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, apesar dos altos índices de rejeição que os dois apresentam e não podem ser encobertos de uma hora para outra.
Ao fazer essa exposição, registramos a importância das pesquisas que não vem a público, porque muitas delas são financiadas por candidatos e partidos políticos, sem que haja registro na Justiça Eleitoral, e os resultados ficam em segredo, servindo para orientação das respectivas campanhas.
ALTAS REJEIÇÕES – A atual eleição é completamente atípica, devido aos elevados índices de rejeição dos favoritos, uma importante circunstância que favoreceria o crescimento de uma candidatura de terceira via, mas as pesquisas que são feitas para serem divulgadas insistem em fortalecer a polarização e devem garantir que haja um segundo turno entre Lula e Flávio, que somente serão eleitos na disputa entre eles, pois qualquer terceira via derrotaria os dois.
Em meio a esse intrincado xadrez político-eleitoral, desperta curiosidade a iniciativa de Gilberto Kassab, conhecido por sua sagacidade, que o fez ser criador e dono do PSD, o partido que mais cresce no país.
Aliás, qualquer analista da política brasileira conhece a estratégia de Kassab, que se repete a cada eleição presidencial. Geralmente, ele não aceita trabalhar para nenhum candidato a presidente. Mantém-se sempre neutro e somente apoia um dos candidatos, no segundo turno, se a vitória dele estiver mais do que garantida.
COBRANDO O APOIO – Quando começa a transição de governo, só então aparece Kassab, para assegurar a parte que lhe cabe neste novo latifúndio governamental, e assim descola ministérios ou diretorias e cargos em estatais, autarquias e outros órgãos públicos, é um verdadeiro festival.
Desta vez, está sendo diferente, porque ele exigiu que Ronaldo Caiado o aceitasse como vice na chapa. Mas por que agiu assim, fora de seu consagrado estilo de neutralidade pré-eleitoral?
O dono do PSD mudou a estratégica porque a chamada pesquisa interna que mandou fazer, em âmbito nacional, mostra que Caiado tem condições de crescer e tirar muitos votos de Flávio no primeiro turno. Assim, mesmo que Caiado perca no primeiro turno, Kassab estará fortalecido para negociar com o vencedor, não importa quem seja.
P.S. – Kassab é uma espécie de termômetro da vida nacional, funcionando como um sanguessuga que se alimenta de recursos públicos. Está cada vez mais rico, já foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro várias vezes, mas sempre consegue escapar. É uma espécie de Lulinha sem pai nem mãe. E vida que segue, como dizia João Saldanha, que o amigo Nelson Rodrigues chamava de “João Sem Medo”.





