

Conversei bastante ontem, antes, durante e depois da eleição presidencial. Bati papo com empresários, políticos, profissionais liberais, amigos e tantos outros. Uns bolsonaristas de carteirinha, outros de direita e muitos de esquerda. Uma verdadeira salada de opiniões, expectativas e sentimentos. Mas uma coisa me chamou particularmente a atenção: diante de uma eleição tão apertada, havia uma certa parcimônia em todos quando o assunto era cravar antecipadamente quem sairia vencedor. Ninguém queria cantar vitória antes do tempo. E estavam certíssimos!
Chegou a hora da apuração e, segundo os resultados que acompanhávamos, Lula apareceu na dianteira durante boa parte da contagem. Em determinado momento, Flávio Bolsonaro conseguiu virar o jogo, mas a alegria de seus correligionários durou pouco. Lula retomou a liderança e, daí até a vitória, foi um pulo. Estava encerrada mais uma das disputas presidenciais mais comentadas e acirradas da nossa história política recente.
Agora, meus caros leitores, é hora de desarmar os espíritos, recolher as bandeiras partidárias e pensar no Brasil. Afinal, eleição passa, governos passam, políticos passam, mas o povo brasileiro permanece, com suas necessidades, dificuldades e esperanças de dias melhores.
Os eleitores vencedores esperam muito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esperam, sobretudo, um governo menos comprometido com determinados personagens que fazem da política um balcão de negócios, onde interesses particulares muitas vezes se sobrepõem às necessidades da população. O Brasil precisa de uma administração que tenha coragem de enfrentar privilégios, combater desperdícios e colocar a ética no centro das decisões governamentais.
E a economia? Ah, essa precisa voltar a encher de alegria os lares brasileiros! O povo já não aguenta tanta carestia, tantos preços elevados, tantas dificuldades para fazer o salário chegar ao final do mês. Não adianta falar em grandes conquistas nacionais se o cidadão comum continua sofrendo na hora de abastecer a despensa de casa.
Também está passando da hora de enfrentar as reformas política e do sistema de Justiça. E esse verdadeiro festival de negociações em torno das emendas parlamentares precisa ser revisto com coragem, transparência e responsabilidade. O dinheiro público não pode continuar sendo tratado como instrumento de conveniência política. É dinheiro do contribuinte, minha gente, e deve retornar à sociedade em forma de benefícios concretos!
Lula caminha para seu quarto mandato presidencial, que poderá representar o encerramento de sua trajetória à frente do Palácio do Planalto. Por isso, acredito que terá diante de si uma oportunidade extraordinária de corrigir rumos, enfrentar práticas pouco republicanas que marcaram diferentes momentos de suas administrações e construir um legado mais consistente para a história política brasileira.
E os derrotados? Esses também precisam fazer uma reflexão profunda. A direita brasileira tinha outros nomes à disposição, como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, cada qual com sua trajetória administrativa e política. Entretanto, prevaleceu a escolha de Flávio Bolsonaro, dentro de uma estratégia que manteve o protagonismo eleitoral da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cabe agora aos dirigentes e eleitores desse campo político avaliar se essa decisão foi a mais acertada e quais caminhos deverão seguir daqui para a frente. Afinal, uma eleição não representa o fim da vida política de ninguém, mas pode oferecer ensinamentos valiosos para quem estiver disposto a aprender.
Não estou aqui defendendo que os derrotados abandonem suas convicções, muito menos que deixem de exercer uma oposição democrática, responsável e fiscalizadora. Pelo contrário! Uma democracia forte precisa de oposição atuante. O que não pode é transformar divergências eleitorais em guerras permanentes, como se o Brasil pertencesse exclusivamente aos vencedores ou aos vencidos.
O momento exige maturidade política, respeito às instituições e disposição para construir entendimentos em torno dos grandes interesses nacionais.
E que Lula, neste novo mandato, compreenda a dimensão da responsabilidade que terá pela frente. Que consiga entregar ao povo brasileiro um país menos desigual, mais justo, mais ético, economicamente fortalecido e, acima de tudo, mais esperançoso.
Porque, convenhamos, meus queridos leitores, o brasileiro já está cansado de tanta briga, tanta promessa e tanta conversa fiada. O que ele quer mesmo é viver melhor, trabalhar, prosperar e sentir orgulho do país em que nasceu.
Vida que segue! Aos vencedores, responsabilidade. Aos derrotados, serenidade. E ao Brasil, que venham dias melhores!
Sorry, periferia política!!!!






