

Alétheia, na mitologia grega, é a personificação da verdade e da revelação.
A palavra “aletheia” vem do grego alétheia (ἀλήθεια) e significa “verdade”. No campo filosófico, a expressão está associada à ideia de desvelamento, de trazer algo à luz, permitindo que a realidade se revele.
E foi justamente essa palavra a escolhida para batizar uma operação desencadeada nesta quarta-feira, 2 de setembro, pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio do Grupo de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do NATI/MPCE e da Polícia Civil.
O fato é que a operação pegou muita gente de surpresa, principalmente por envolver diretamente o presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, vereador Felipe Vasques, que nas últimas eleições municipais foi o parlamentar mais votado da cidade e, posteriormente, guindado à presidência do Poder Legislativo Romeiro.
Felipe chegou ao comando da Câmara carregando um forte discurso de moralização e combate às práticas que, durante muito tempo, colocaram o Legislativo juazeirense no centro de polêmicas e investigações. Daí a repercussão provocada pela notícia desta quarta-feira.
Conheço Felipe Vasques e sempre o considerei um cara superlegal, que demonstra boa vontade e disposição para melhorar a imagem de uma instituição que, antes de sua chegada à presidência, atravessou momentos bastante complicados. Houve períodos em que a situação da Câmara de Juazeiro do Norte virou, literalmente, caso de polícia.
Mas Felipe Vasques não foi o único alcançado pela Operação Aletheia. Segundo as informações divulgadas, foram expedidos e cumpridos outros 15 mandados de busca e apreensão em Juazeiro do Norte e também em Barbalha.
Felipe já havia se licenciado do cargo para disputar uma cadeira de deputado estadual nas eleições deste ano.
As investigações apuram suspeitas relacionadas a possível direcionamento de licitações, fraudes em contratações públicas e eventual desvio de recursos em contratos de obras e serviços de engenharia firmados com o Município de Juazeiro do Norte, cujos valores são estimados em cerca de R$ 43 milhões.
É grana pra caramba.
Importante deixar muito claro: trata-se de uma investigação. A existência de mandados, medidas cautelares ou suspeitas levantadas pelos órgãos responsáveis pela apuração não representa, por si só, condenação ou comprovação de culpa de qualquer pessoa investigada.
Felipe Vasques, por sua vez, não se fez de rogado. Afirma estar tranquilo, sustenta que não deve “nadica de nada” à Justiça e atribui o episódio a uma perseguição política. Disse ainda aguardar acesso formal aos autos para apresentar sua defesa e demonstrar sua inocência.
E é exatamente assim que as coisas precisam caminhar.
O povo de Juazeiro do Norte, que vinha acompanhando e, em boa medida, reconhecendo a postura de Felipe à frente do Legislativo Romeiro, certamente espera que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos. Se existem suspeitas, que sejam investigadas com rigor. Se houver responsabilidades comprovadas, que sejam apontadas. Se não houver, que a inocência dos envolvidos seja igualmente reconhecida.
O que Juazeiro do Norte não pode admitir é o retorno da malandragem e da pirotecnia com o dinheiro público que, em outros momentos, tanto prejudicaram a imagem política da cidade abençoada por Deus e pelo Padre Cícero.
Da mesma maneira, não podemos condenar antecipadamente o jovem Felipe Vasques. Investigado não é sinônimo de culpado. Cabe ao Ministério Público investigar, à defesa apresentar suas razões e à Justiça, quando for o caso, decidir com base nas provas.
Nada de tribunal antecipado das redes sociais, principalmente em pleno período eleitoral.
Que venha, portanto, a aletheia: que os fatos sejam colocados às claras e que a verdade prevaleça, seja ela qual for.
Sendo assim, vamos em frente, porque gente inteligente tem mais é que caminhar para o sucesso.
Sorry, periferia política!!!!





