

Olha, gente, quando vejo essa onda de intolerância política que vem tomando conta do Brasil, fico a me perguntar: em que momento chegamos a esse ponto de transformar divergências eleitorais em motivos para ameaças, constrangimentos e até perseguições? Francamente, não consigo compreender tamanho desatino, sobretudo quando sabemos que a democracia pressupõe justamente o direito de cada cidadão pensar, escolher e votar conforme a sua consciência.
Ainda bem que as autoridades brasileiras estão atentas a esses comportamentos nada republicanos. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, afirmou, durante coletiva, que a pasta recebeu denúncias envolvendo crimes de ódio, intolerância e discriminação no ambiente digital. Segundo ele, episódios relacionados às relações entre empregados e empregadores também foram comunicados ao Ministério Público Eleitoral.

E aqui no nosso querido Cariri, infelizmente, também surgiram episódios que merecem reflexão. Um deles envolve a médica Maiara Romero, esposa do reitor do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (UNILEÃO), Jaime Romero.
Segundo relatos que ganharam repercussão nas redes sociais, a médica teria publicado manifestações interpretadas como ameaças ou constrangimentos dirigidos a funcionários, professores e alunos que optaram por votar no presidente Lula, contrariando suas preferências políticas favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro.
A repercussão foi tão negativa que Maiara Romero veio a público apresentar desculpas. Seu marido, o reitor Jaime Romero, também se manifestou sobre o episódio, procurando esclarecer a situação.
Agora, convenhamos, uma coisa é defender apaixonadamente determinado candidato, outra, completamente diferente, é admitir que preferências eleitorais possam interferir no respeito devido a trabalhadores, professores e estudantes. Isso, meus caros, é absolutamente incompatível com os princípios de uma instituição de ensino superior, ambiente que deve cultivar a liberdade de pensamento, o pluralismo de ideias e, acima de tudo, o respeito às diferenças.
E tem mais! Instituições privadas de ensino superior também se beneficiam de políticas públicas federais, a exemplo do FIES e do ProUni, instrumentos importantes para ampliar o acesso de milhares de brasileiros à formação universitária. É bom esclarecer que esses programas possuem mecanismos distintos de financiamento e incentivos, mas ambos demonstram a importância da participação do poder público na educação superior brasileira.
Por isso mesmo, espera-se de quem mantém vínculos com o universo acadêmico uma postura especialmente cuidadosa diante das divergências políticas. Afinal, uma universidade não pode ser território de imposição ideológica, seja de direita, de esquerda ou de qualquer outra orientação.
Quanto às desculpas apresentadas pela médica, considero importante reconhecer o gesto. Entretanto, pedidos de desculpas não eliminam automaticamente a repercussão de manifestações consideradas ofensivas. A reconstrução da confiança exige atitudes concretas de respeito à liberdade de expressão e às escolhas individuais.
Não me cabe julgar a consciência política de Maiara Romero, muito menos antecipar qualquer conclusão jurídica sobre o episódio. Mas, como jornalista e observador da vida pública caririense, tenho o direito de condenar toda e qualquer manifestação de intolerância, venha de onde vier.
A democracia brasileira custou muito caro para ser conquistada e não podemos permitir que paixões eleitorais transformem adversários em inimigos, muito menos que cidadãos sejam constrangidos por exercerem livremente o direito ao voto.
No Cariri, terra de gente inteligente, acolhedora e politicamente consciente, precisamos de mais respeito, mais civilidade e menos radicalismo. Porque eleição se ganha ou se perde nas urnas, jamais na base da intimidação!
Sendo assim, estamos para lá de conversados!
Sorry, periferia da intolerância política!!!!




