

Não sei se vou, não sei se fico. Se fico aqui, se fico lá; se estou lá, tenho que vir; se estou aqui, tenho que voltar. Esta música, intitulada “Daqui Pra Lá”, de Martinho da Vila, serve a este colunista para definir a situação de incerteza e a conexão emocional dos irmãos Ciro e Cid Ferreira Gomes.

Senador Cid Gomes
De um lado, temos o senador Cid Gomes (PSB), a todo momento dizendo que não pretende ser candidato a mais nada, que vai se afastar da política e tome lero e bolero. Logo em seguida, sai uma pesquisa colocando-o na pole position da disputa senatorial; então, ele vem a público dizer que já não sabe se ficará distante da política e que tudo indica que poderá repensar sua reeleição ao Senado da República. O seu plano “B”, que é o atual deputado federal Junior Mano, manifestou-se nas redes sociais, inclusive afirmando que, se Cid resolver entrar na disputa, pode contar com ele, que não será empecilho para seus planos de retorno à política. Se bem que é impossível um político organizar o maior partido do Ceará, que é o PSB, sem intenções de continuar na política. “Morre o boi e quem o tange”: quem ousar acreditar nessa conversinha de Cid Gomes.

Ex-ministro Ciro Gomes
Por outro lado, está o irmão de Cid, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que está provocando um alvoroço nas farmácias cearenses com sua também indecisão. Seus neoapoiadores, gente que não entende como funcionam seus humores e decisões, estão se empanturrando de calmantes (Lexotan) para suportar a celeuma: “Ciro é ou não candidato a governador?”. De um lado, sua irmã do coração, Lia Gomes, acredita que não, e isso só falta deixar sua galera enlouquecida. O filho varão de seu José Euclides Ferreira Gomes, a cada momento, empurra a decisão para frente, e isso está deixando seus saltitantes seguidores em polvorosa. Os caras estão apostando seus futuros políticos em suas mãos, e ele está naquela de “que por mim pode morrer nesta janela, que nem te ligo, que nem te ligo”.

E assim, os cearenses vão sendo obrigados a assistir a essa comédia hilária encenada pelos irmãos Ferreira Gomes, mas que, com certeza, terá em breve seu desfecho. Sinceramente, acredito que é mais fácil Cid Gomes ir para a disputa, contrariando Ciro Gomes, e este repensar — e muito — o tamanho do abacaxi que terá de descascar caso entre nessa disputa contra um grupo político que os cearenses reconhecem como o mais capacitado para continuar gerindo seus destinos políticos e administrativos.
Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






