

Às vezes, até gente expert em política comete erros de avaliação ao buscar formar uma composição para apresentar uma candidatura majoritária em uma eleição. Ciro Gomes demorou para decidir se sairia ou não candidato ao Palácio da Abolição nas eleições de outubro de 2026. Disse que não queria trocar a voz da razão pela do coração, mas sinto que acabou fazendo exatamente isso.
Ao formar sua composição para enfrentar as três maiores lideranças cearenses da atualidade — Camilo Santana, Cid Gomes e Elmano de Freitas —, acho que o homem da língua de fogo teve tempo suficiente para pisar no freio e perceber que se unir a Capitão Wagner e André Fernandes era o mesmo que entrar na furna de uma onça.
COMPROU GATO POR LEBRE

Essa onda que o Centrão está tentando surfar, no sentido de abandonar a candidatura de Flávio Bolsonaro e liberar seus partidos e lideranças estaduais para votarem como quiserem para governador e senador nos estados brasileiros, é a última pá de cal que faltava lançar sobre a candidatura do filho de Jair Bolsonaro. E, se não existir candidatura de Flávio, o bolsonarismo vai para as cucuias, e o deputado federal André Fernandes passará a flutuar feito alma penada, pois esse jovem aprendiz de político surgiu graças ao fenômeno político representado pelo mito Bolsonaro. Sem o mito, ele não consegue convencer ninguém, e a nossa Capital, que Ciro esperava transformar em sua fortaleza no combate aos adversários, certamente vai desvanecer.
No fim, o eleitorado fortalezense poderá se esvair: uma parte deixará de exercer o voto, outra poderá migrar até mesmo para Elmano de Freitas, e muitos poderão desembarcar na caravela do governamentável Eduardo Girão.
Sendo assim, estamos mais do que conversados. Sorry, periferia política!






