

Esta campanha estadual de 2026 se transformou num verdadeiro ringue político. O ex-governador Ciro Gomes, que tenta retornar ao cargo, já vinha mostrando desde 2025 como pretendia conduzir a peleja deste ano.
Naquele período, buscando se consolidar como candidato e atrair para o seu projeto a direita e o bolsonarismo cearense, Ciro iniciou primeiramente um verdadeiro telequete político com o irmão Cid Gomes. Só que Cid não se rendeu, muito menos foi a nocaute. Preferiu continuar na luta e, pelo andar da carruagem, pretende permanecer no ringue até o último gongo.
Depois, Ciro Gomes partiu para outra luta, como se estivesse buscando um revide. Chamou para o centro do ringue o senador Camilo Santana e o atual governador Elmano de Freitas. Imagina! Camilo, filho de Eudoro Santana e Ermengarda, nem candidato é nesta eleição.

Já Elmano de Freitas, candidato à reeleição, parecia desejar uma campanha menos pessoal e mais voltada para a discussão administrativa: apresentar o que considera os méritos dos seus quatro anos de governo, prestar contas do que realizou e mostrar o que pretende fazer nos próximos quatro anos.
Só que a campanha tomou outro rumo.
Na minha avaliação, Ciro Gomes contribuiu decisivamente para levar a disputa para o terreno dos ataques pessoais, fazendo com que o espaço destinado à discussão de projetos para o Ceará fosse progressivamente ocupado pelas brigas, provocações, acusações e respostas dos adversários.
É justamente aí que considero estar um dos grandes problemas desta campanha. Em vez de uma grande conversação sobre o futuro do Ceará, assistimos diariamente a uma verdadeira guerra política.
Você abre os canais de televisão, liga o rádio, acessa os jornais virtuais e as redes sociais, acompanha a propaganda eleitoral ou assiste aos debates nos veículos de comunicação e lá estão novamente as pancadarias verbais, as acusações e as provocações.
Ciro aparece quase sempre no centro desses embates, disparando críticas contra seus adversários, enquanto estes, naturalmente, também passaram a responder no mesmo tom. E, quando a campanha entra nessa espiral, quem perde espaço é justamente aquilo que deveria ocupar o centro do debate: o Ceará.
Cadê a discussão sobre saúde? Educação? Segurança pública? Desenvolvimento econômico? Geração de emprego? Infraestrutura? Combate à pobreza? E, principalmente, quais são os projetos concretos que cada candidato apresenta para os próximos quatro anos?
É isso que deveria interessar ao eleitor.
Não estou dizendo que uma campanha eleitoral deva ser um encontro de freiras carmelitas. Política tem confronto, divergência, cobrança e embate. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a pancadaria política se torna mais importante do que as ideias e quando os ataques pessoais passam a ocupar o lugar das propostas.
O Ceará precisa muito mais de ação, projetos e soluções do que de um campeonato de pancadaria verbal.
Fica aqui o meu desabafo.
Sorry, periferia política!!!




