

Este colunista há tempos se ressente do baixo nível a que chegaram as comunicações em nosso País. Também, pudera: hoje em dia, todo mundo virou jornalista, repórter, fotógrafo profissional e sabe-se lá mais o quê.
Nesta semana, alguns blogueiros que andam espalhados pelo Cariri afora deram uma “barrigada” em termos de notícia que, vou te contar… É deprimente alguém querer audiência a qualquer custo, chegando ao absurdo de divulgar o falecimento de uma pessoa aqui do Crato quando, na verdade, a morte sequer havia ocorrido. Arre, égua! Aí já passa dos limites.
O jornalista e cientista político William Waack, ex-apresentador da Rede Globo e atualmente na CNN Brasil, já manifestou críticas à deterioração da qualidade da informação. E não é difícil compreender a preocupação quando se vê gente se aventurando no universo jornalístico sem dominar sequer os princípios elementares da profissão — da boa escrita à apuração criteriosa dos fatos.
No sábado passado, alguns blogueiros inexperientes pipocaram nas redes sociais a falsa notícia da morte do cerimonialista, intelectual, radialista e jornalista Huberto Cabral. Nosso colega está internado há alguns dias no Hospital Regional do Cariri, onde recebe os cuidados da equipe médica após sofrer um grave Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Mesmo diante de uma situação tão delicada, essas figuras resolveram escancarar nas redes sociais uma informação que não correspondia à realidade: anunciaram sua morte.
Será que não imaginam o estrago provocado por uma irresponsabilidade dessa natureza?
Uma notícia falsa como essa abala profundamente os familiares, sobretudo aqueles que acompanham de longe o estado de saúde de Huberto e que, por compromissos profissionais ou outras responsabilidades, não podem permanecer aqui o tempo todo. Imagine receber, de repente, pelas redes sociais, a notícia da morte de alguém querido — e depois descobrir que tudo não passou de uma publicação irresponsável.
Vou te contar: é de lascar!
E não atinge somente a família. Abala os amigos, os colegas de profissão e todo o Cariri, região onde Huberto Cabral construiu uma trajetória respeitada e conquistou enorme carinho.
Jornalismo não pode ser confundido com a simples capacidade de abrir uma página numa rede social e começar a publicar qualquer coisa. Informação exige apuração, responsabilidade, ética, conhecimento e, acima de tudo, consciência das consequências que uma notícia pode provocar na vida das pessoas.
Defendo que o debate sobre a regulamentação do ambiente digital avance no Brasil, sempre preservando a liberdade de expressão e de imprensa. Também considero necessário discutir seriamente a valorização profissional do jornalismo e o papel das entidades representativas da categoria na defesa de padrões éticos para quem trabalha com informação.
Precisamos de um ambiente digital seguro, democrático e transparente, capaz de combater abusos, irresponsabilidades e a disseminação deliberada de mentiras, sem transformar esse necessário enfrentamento em instrumento de censura.
Liberdade de expressão é indispensável à democracia. Mas liberdade não pode servir de salvo-conduto para publicar uma mentira, muito menos para decretar, nas redes sociais, a morte de quem está vivo.
Sendo assim, estamos para lá de conversados.
Sorry, peperiferia!!!!!
UM MINUTO POR FAVOR – Já que estamos com as mão na massa, vamos ao boletim médico correto do Cabral para esta quarta-feira –





