

Já vi muita falta de vergonha na política: gente que “botou para quebrar” no desafeto político para, logo depois, fazer as pazes e se tornar companheira de lutas indissolúveis. Já vi irmão brigar com irmão e depois voltar às boas; primos com primos; cunhado com cunhado; sogra com nora e genro; genro com sogro e sogra e, por aí vai…
Mas juro que essa história de Eunício estar paquerando com Ciro Gomes já se torna um tremendo surubau. O que Ciro falou de Eunício Oliveira, em um país mais avançado, seria impublicável.
Para justificar essa falta de pudor de ambas as partes, estão tentando camuflar essa marmotice como se fosse uma trégua, na qual os dois concordaram em desistir dos processos que moviam um contra o outro. Eunício possuía na Justiça seis processos contra Ciro Gomes; por outro lado, Ciro possuía três contra ele.
Até aí, tudo bem. Fica mais ou menos naquela velha onda do “elas por elas”, e cada um segue o seu rumo. Só que a torcida dos dois lados está tentando tirar proveito dessa historinha cabeluda. Ciro, que até agora não conseguiu convencer ninguém da situação a deixar o barco onde navega para segui-lo nessa viagem da qual ninguém sabe ao certo onde vai dar, tem aliados insinuando que começou a vazar água no barco situacionista.
Já Eunício Oliveira, que não vem conseguindo abrir espaço para a disputa senatorial na chapa majoritária em que o governador Elmano de Freitas figura como candidato à reeleição, vê Cid Gomes, ao que tudo indica, disposto a buscar um repeteco de mandato. Além disso, a outra vaga ao Senado parece estar mais próxima de Domingos Aguiar Neto do que dele.
Daí que, como político não pode se deixar cair na armadilha do unilateralismo, o maridão de Mônica Paes de Andrade anda buscando essa alternativa de araque, pois seus compromissos junto ao presidente Lula são enormes e jamais poderão ser sustados em nome de interesses poucos objetivos.
Quem conhece Eunício Oliveira sabe muito bem que tudo isso não passa de uma “mise en scène” para forçar Cid Gomes, Camilo Santana e Elmano de Freitas a encamparem sua candidatura ao Senado da República.

Ciro, além da crueldade que cometeu contra Eunício Oliveira por meio de seus impropérios verbais, foi fatídico ao se esquivar de votar nele quando Eunício se articulou com o presidente Lula e Camilo Santana no sentido de se reeleger, em 2018, para a Câmara Alta do país, a qual presidiu de 2017 a 2019. Caso retornasse pela força do voto, seria reconduzido ao posto de presidente do Congresso Nacional com amplo apoio.
Ciro Gomes, no entanto, melou esse acerto político, conseguindo desestabilizá-lo nas hostes do poder cearense. Trabalhou o quanto pôde para destruir esse sonho de verão — e conseguiu. Foi aí que o então desconhecido empresário Eduardo Girão, que se candidatou como opção pela direita, venceu inesperadamente a disputa e mandou para casa o todo-poderoso presidente do Senado da República.
Daí que a maioria dos analistas políticos cearenses jamais acreditará em uma composição entre Eunício e Ciro. Até porque este já teria compromissos com Capitão Wagner e Alcides Fernandes para, juntos, formarem a chapa majoritária oposicionista no Ceará.
Sendo assim, estamos mais do que conversados. Sorry, periferia política!!!!!






