

Na última semana de campanha, a oposição cearense resolveu unir forças para tornar em uma só aquilo que, até então, era tratada como três. Refi ro-me às campanhas de Ciro Gomes (PSDB) ao governo e às de Capitão Wagner (UB) e de Alcides Fernandes (PL) ao Senado Federal – é que, a quem observou bem, pareciam três candidaturas correndo em separado, cada uma delas buscando garantir o seu quinhão.
Nas movimentações iniciais que produziram a aposta radical da oposição de direita no Ceará ao nome de Ciro, ainda no ano passado durante os “cafés da oposição” na Alece, os diversos grupos que a compõem ressoavam, em uníssono, a crença de que “só Ciro” venceria o PT; daí a necessária unidade da oposição, representada por diferentes grupos – desde o PL de André e Silvana, passando pelo União de Wagner e Reginauro até chegar ao PSDB de Ciro e Roberto Cláudio, que se revigorara com a filiação dos ex-pedetistas.
Contudo, as declarações diversas de que o apoio do PL e demais siglas ao tucano era “local”, o que fazia de Alcides Fernandes o “palanque estadual de Flávio Bolsonaro”. Esse arranjo estaria assim desenhado: Ciro e o PSDB de Tasso tratariam da candidatura ao governo – inclusive com o estilo de fazer campanha (tratava-se de rememorar a era de ouro do PSDB) -, o PL, investindo na candidatura senatorial do “pai do André” concentraria a mobilização do filão bolsonarista no estado (inclusive, no ato de campanha de Flávio em Fortaleza era como se inexistisse outros candidatos ao Parlamento pelo PL) e a Wagner caberia explorar seu recall de outras eleições.
Nas diversas apresentações públicas, em entrevistas, e no HGPE não se via um “time”: os dois senatoriais da oposição não anunciavam o outro, não se mostravam como o “time de Ciro” e não declaravam voto um no outro. Resultado? Wagner, bem posicionado nas pesquisas iniciais, foi derretendo ao longo da campanha, perdendo tração para Luizianne Lins (Rede), que pode sair vitoriosa na disputa.
Somente na última semana resolveram falar em “time” e apostar na estratégia da “casadinha”, tal como utilizada pela chapa governista, alertados pelo crescimento da “lôra”. Surtirá efeito? Contra “times” não existem jogadores “isolados”, mobilizados por projetos pessoais. Há que se mostrar em bloco. Não era essa a intenção dos “cafés”?





