JUSCELINO, O PRESIDENTE DO 7º ANDAR…

Screenshot_20261026_213023_Gallery
Banner_PMB_19.10.2026_ESPORTE_480x480px
Screenshot
480x480-_Banner_SITE_SAUDE
WhatsApp Image 2026-06-16 at 15.28.42

Juscelino Kubitschek e João Flávio Lemos Moraes

Em 1975, o presidente de uma das empresas do Grupo Supergasbras já havia sido presidente da República.

O nome dele era Juscelino Kubitschek.

A empresa chamava-se Supertrans, era a transportadora do grupo, e em poucos lugares vocês vão encontrar essa informação. Quando Juscelino nos deixou, era presidente dela. Eu era vice-presidente do Grupo Supergasbras e presidente de algumas das outras empresas.

Quem trabalhou conosco naquela ocasião vai lembrar. Vai lembrar do quanto ele era amável com os funcionários, do quanto era cortês. Foi um grande presidente dentro do nosso grupo também.

E tem mais. Durante anos, até eu me casar, Juscelino foi meu vizinho. Morávamos no 8º andar. Ele morava no 7º. Um andar nos separava, e a nossa convivência era mesmo de vizinhos, daquelas de elevador e de porta aberta.

Mas não era só no prédio. Juscelino era de uma convivência constante com a família toda, no Rio e em Minas, nas fazendas, nas confraternizações. Ele tinha muito disso. Aparecia, sentava e ficava.

Essa história, porém, tinha começado muito antes.

Conheci Juscelino Kubitschek quando eu ainda era criança. Em 17 de maio de 1963 ele esteve em Campinas para uma maratona de compromissos. Alguns deles foram organizados pelos meus pais. Esteve nas dependências da Supergaz, a empresa de gás da nossa família, antes da união com a Gasbras, do Rio de Janeiro, que deu origem à Supergasbras.

Naquele ano, a grande expectativa era que Juscelino fosse o presidente em 1965. Os jornais que registraram a passagem dele por Campinas falavam exatamente sobre isso. Diziam que ele seria o próximo presidente da República.

Não quero falar de política. Acho que já falamos de política demais nos últimos dias. Todo mundo sabe o que veio depois.

O que talvez vocês não saibam é que Juscelino sempre me perguntava por que eu não entrava para a vida pública. Ele via em mim um arrojo, uma disposição para os negócios. Eu sempre desconversava. Meu negócio era, e continua sendo, as empresas. O mundo político nunca me atraiu. Essa é a grande verdade.

Insistia muito. Acho que fiz bem em não entrar. Consegui realizar mais coisas na iniciativa privada, dando oportunidades reais a uma parcela do povo.

Com meu pai era diferente. Sempre que o encontrava e ia apresentá-lo a alguém, Juscelino dizia que, se o Brasil tivesse mais homens como ele, não seria um país de terceiro mundo. Dizia até um número. Se eu arriscar agora, estarei inventando. Talvez fossem 50 homens, talvez outro número qualquer.

Meu pai era muito honrado e muito grato por ter nas nossas empresas, no nosso grupo, na nossa holding, um executivo do porte de Juscelino Kubitschek. Eu também. A família toda.

É óbvio que ser presidente de uma empresa dentro de um grupo, para Juscelino, era até pouco. Mas era o que ele queria naquele momento.

Uma coisa que nunca esqueci foi a humildade dele e o carinho que tinha com as pessoas. Uma figura espetacular. Convivi com ele durante uma vida inteira, e depois veio a fatalidade da despedida prematura, quando ele ainda tinha muito por fazer. Um homem de ideias fantásticas.

A foto que acompanha esta publicação é de 1975, pouco tempo antes da partida dele. Foi feita na Avenida Atlântica, dentro do meu micro-ônibus, o motorhome pequenininho, o primeiro, que vocês já viram aqui em outras fotos. Foi no dia em que Juscelino saiu para dar uma volta com a gente. Se a memória não falha, foi o dia em que ele conheceu o motorhome.

Poucos meses depois da partida de Juscelino, inaugurei meu apartamento em Ipanema. Dona Sarah foi. Ainda muito abatida, mas fez questão de ir.

Alguém mais aqui conviveu com Juscelino naquela época? Eu queria muito ler essas lembranças.

João Flávio Lemos de Moraes

Esta gostando do conteúdo? Compartilhe!

sobre

Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

© 2022 – CARIRI É ISSO.  by Valdi Geraldo.

plugins premium WordPress