

Ciro Gomes, Alcides Fernandes e Capitão Wagner correndo de Flávio Bolsonaro como o diabo corre da cruz
“Samba do crioulo doido.” Assim podemos definir o que anda acontecendo na coligação de Ciro Gomes.
Fecharam a combinação quando viram pesquisas de opinião apontando Lula lá na frente aqui no Estado. A dedução parecia simples: unindo Ciro Gomes e os bolsonaristas no Ceará, a vantagem do petista diminuiria. Só que, pelo menos até agora, a estratégia não produziu o efeito esperado. Lula vem crescendo e já aparece, segundo levantamentos citados nos bastidores políticos, na casa dos 60%, ainda com perspectivas de avançar.
A tentativa de colocar no mesmo balaio Ciro Gomes, André Fernandes e Capitão Wagner, ao que parece, não vingou como imaginavam seus articuladores. Daí que Wagner começa a sentir aquilo que Ciro percebeu desde o início: o peso eleitoral de uma vinculação direta ao bolsonarismo no Ceará. Alcides Fernandes também enfrenta essa equação, embora nunca tenha alcançado, até aqui, o mesmo patamar de competitividade dos dois primeiros.
Os cearenses poderão presenciar, mais uma vez, Capitão Wagner procurando estabelecer certa distância do bolsonarismo na tentativa de preservar sua própria candidatura. Ciro Gomes, por sua vez, demonstra enorme resistência a dividir o palanque com figuras identificadas diretamente com esse campo político.
Vale lembrar que, na eleição estadual passada, aqui no Ceará, Capitão Wagner também procurou manter distância do então candidato à reeleição presidencial Jair Bolsonaro. Naquele momento, a avaliação era de que uma associação excessivamente direta ao ex-presidente poderia representar um peso para sua postulação ao Governo do Estado.

Flávio Bolsonaro com apenas 26% dos votos cearense e Lula com 60%
Pelo que se observa, o PL nacional e o candidato Flávio Bolsonaro podem ter feito uma aposta de alto risco nessa chamada onda “Cironaro”. Até agora, ficou aquela velha história: nem mel, nem cabaça. Seus próprios candidatos ao Senado procuram preservar espaços políticos próprios, enquanto Ciro Gomes (PSDB) mantém distância de uma identificação explícita com o candidato presidencial bolsonarista.
Talvez, dentro da lógica originalmente pretendida pelo bolsonarismo cearense, a composição com o Novo apresentasse maior afinidade ideológica. O senador Eduardo Girão, historicamente identificado com pautas da direita, acabou desistindo de sua candidatura ao Governo do Ceará e aceitou integrar, como candidato a vice-presidente, a chapa de Romeu Zema, do Novo.
No fim das contas, a tentativa de juntar correntes políticas distintas em torno de uma candidatura competitiva no Ceará vai produzindo ruídos, afastamentos e reposicionamentos.
É o verdadeiro samba do crioulo doido da política cearense.
Sorry, periferia política!!!!!





