

Acreditar que escândalos de corrupção no Brasil envolvendo figuras da alta cúpula política, judicial e empresarial possam dar em alguma coisa, arre égua, é tentar colocar chifre em cabeça de cavalo.
Tudo neste país, quando envolve esse tipo de situação, acaba em uma tremenda pizza, e os “pizzaiolos” seguem em frente fazendo todos nós, brasileiros, de trouxas. Esse escândalo do Banco Master conta com o envolvimento de políticos de esquerda, de direita, de centro-esquerda e de centro-direita. Zorra total!

Mas, para embasar essa minha percepção de que, no Brasil, gente toda-poderosa é inimputável, comecemos pelo caso da Lava Jato, que começou tão bem, dando esperança ao povo brasileiro de que havia chegado a hora de os poderosos prestarem contas de suas malinações com o que é alheio. Como estamos a denotar, os bandidos viraram mocinhos e os mocinhos viraram bandidos nessa história. Os procuradores, os funcionários da Polícia Federal de alto coturno e os juízes que entraram nessa corrente pra frente foram todos punidos. E assim acabou a famosa Lava Jato. O próprio Superior Tribunal de Justiça tratou de defenestrar essa operação de nossos horizontes.

Sergio Cabral, símbolo maior da corrupção brasileira. Em depoimento confessou que tem compulsão para roubar o que é público. Condenado a 400 anos de prisão, mas na realidade se encontra instalado muito bem obrigado em seu “ap” cobertura na orla carioca.
Estou aqui apontando apenas alguns casos para ilustrar o meu comentário, mas temos muitos outros que seguiram pelo mesmo caminho, ou seja, o da impunidade. Falemos, então, do caso Sérgio Cabral, que governou o Estado do Rio de Janeiro por oito longos anos. Foi enjaulado por roubar o que é do povo; praticou um assalto bilionário ao erário público. Sabe o que aconteceu? O de sempre. Sempre que se mencionam, nos escândalos, autoridades com forte influência institucional, a coisa vai literalmente para o brejo.
Uma fonte ouvida pela coluna resumiu o clima em torno da negociação para pôr fim ao tormento de Cabralzão: “A declaração faz referência ao precedente da delação do ex-governador Sérgio Cabral, que citou supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli. O acordo acabou posteriormente anulado pelo próprio Supremo Tribunal Federal.”

Vejam que a roubalheira em torno dos velhinhos do INSS, quando começou a envolver gente de todos os quadrantes, por meio da CPI dos Aposentados, foi rapidamente abafada, e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

Vorcaro Lalau
Estamos assistindo a outro escândalo fuderoso: o do Banco Master. Não tenho a menor dúvida de que as ações investigativas também vão sucumbir em breve. Esse caso está sendo considerado o maior exemplo de assalto ao Sistema Financeiro Nacional e envolve políticos de altíssimo escalão, autoridades governamentais poderosíssimas, agentes policiais de alta estatura, juízes, promotores, advogados famosos e até ministros do STF.
Um esquema envolvendo tanta gente importante assim, na nossa famosa República das Bananas, dá para acreditar que obterá sucesso e colocará quem de direito atrás das grades? Só um louco poderia acreditar nisso.
Antes do início formal das negociações, a defesa de Vorcaro sinalizava que o banqueiro faria uma delação “completa” e “sem poupar ninguém”. Até agora, no entanto, a percepção dos investigadores é oposta: a proposta apresentada se aproxima mais de uma estratégia de defesa do que de uma colaboração efetiva.
A própria Polícia Federal encontrou indícios de preocupação de Vorcaro com o ambiente que cercava suas operações financeiras e políticas. Em conversa obtida pelos investigadores, enviada à então namorada, a influenciadora Martha Graeff, o banqueiro escreveu: “Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Quem sai, sai mal.”
Na interpretação dos investigadores, o banqueiro tenta preservar parte da rede política e institucional que construiu ao longo dos últimos anos e que, segundo a PF, foi alimentada por pagamentos indevidos a autoridades, parlamentares e operadores estratégicos. A leitura predominante é a de que Vorcaro ainda aposta na influência acumulada para encontrar uma saída alternativa à colaboração premiada.

Senador Ciro Nogueira, aliado dos bolsonaristas, figura como pensionista milionário do Banco Master.
Tanto é assim que o ponto que mais chamou a atenção da equipe responsável pelas investigações foi o capítulo dedicado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), considerado um dos principais operadores políticos ligados aos interesses do banqueiro em Brasília. O conteúdo apresentado por Vorcaro, o Lalauzão, teria sido tão superficial e favorável ao parlamentar que, nos bastidores da investigação, ganhou o apelido de “beatificação de Ciro”.
E assim vai caminhando a Justiça brasileira, em passos de formiga e sem vontade. Sorry, periferia!





