
MARCOS PEIXOTO
A gente observa alguns políticos do Cariri e até mesmo do Ceará e do Brasil como um todo e nota que existem aqueles que são verdadeiramente honestos; outros nem tanto, mas que não chegam a tantos exageros; e há um grande número de exagerados que não estão nem aí: o importante é se dar bem financeiramente, assaltando os cofres públicos.
Temos exemplos de muitos que se locupletaram com o dinheiro do povo e até conseguem permanecer nos parlamentos. Daí, porém, não passam, pois, quando chega a tentação — ou melhor, a vontade de crescer ainda mais politicamente —, a fama de corrupto não lhes permite ir mais longe.
Existem também aqueles que têm vida curta na política por serem honestos. Entretanto, quando dela se desvencilham, a honradez permanece até o fim de seus dias, e eles partem deste mundo deixando um legado de cidadãos que mereceram viver e que contribuíram para tornar o mundo um lugar melhor. Seus exemplos permanecem para os filhos e para as gerações futuras.
Estou escrevendo este artigo porque fico analisando a sanha por dinheiro que hoje observo em alguns jovens da política cearense e, quiçá, caririense. Alguns estão demonstrando ser verdadeiros experts na arte da desonestidade. No entanto, chegará o momento em que desejarão subir de posto na política, galgar cargos mais importantes nas diversas esferas do poder. E, para alcançar esse patamar, graças a Deus, honradez e correção serão, indubitavelmente, requisitos básicos. Será nesse momento que muitos, já em idade mais madura, perceberão que todo o dinheiro roubado não lhes servirá para alcançar esse sonho.
ROUBA, MAS FAZ

Ademar de Barros
É uma regra que vem se consolidando no Brasil: cobra-se cada vez mais do político a sua ficha corrida, sua trajetória e a forma como se comportou ao longo da vida pública para pleitear um cargo majoritário, como prefeito, governador, senador ou presidente da República. Estamos vendo, inclusive nesta eleição, muitos candidatos sendo desidratados ou enxotados por seus próprios pares e pela pressão da sociedade, que os rejeita. É quando passam a refletir se valeu a pena tanto esforço para enriquecer surrupiando o dinheiro público, se, justamente na hora de coroar a trajetória política, o passado os condena.
Lembrei-me agora de um dos homens públicos mais polêmicos da política brasileira: o paulistano Ademar de Barros. Aviador, médico e empresário, ocupou, entre as décadas de 1930 e 1960, diversos cargos públicos, como deputado estadual, prefeito de São Paulo, interventor federal na capital paulista e governador do Estado por duas vezes. No entanto, a Presidência da República, que tentou conquistar em duas oportunidades — em 1955 e 1960 —, permaneceu um sonho distante. Em ambas as eleições, terminou em terceiro lugar.
A fama de administrador ousado e dinâmico cresceu paralelamente às denúncias de corrupção em seus governos. As acusações apontavam para a cobrança de propinas e o desvio sistemático de recursos públicos. Os casos mais rumorosos foram denunciados pelo jornalista Paulo Duarte e repercutidos pelo governador Jânio Quadros. Entre eles, destacavam-se a suposta apropriação de automóveis comprados pelo governo de São Paulo e o desaparecimento de uma urna marajoara destinada ao Museu Paulista. Apesar da defesa que promoveu nos tribunais e junto à opinião pública, Ademar jamais conseguiu dissociar sua reputação de administrador empreendedor da pecha de corrupto, fenômeno sintetizado na famosa expressão: “Rouba, mas faz”. Tampouco conseguiu atingir seu maior objetivo político: eleger-se presidente da República. Depois de duas tentativas frustradas, preparava-se para disputar a terceira eleição presidencial quando foi cassado, em junho de 1966, pelo governo militar que ajudou a chegar ao poder.

Paulo Maluf
Poderíamos citar outro exemplo de um homem que conquistou praticamente tudo o que um político almeja na vida pública, mas que viu o sonho de chegar à Presidência da República ficar apenas no desejo. Hoje, vive em prisão domiciliar, já idoso e sem o mínimo de respeito de grande parte da população. Falar em Paulo Maluf no Brasil remete, quase instantaneamente, à imagem da corrupção.
Estamos conversados. Que este artigo sirva de lição para muitos jovens que, pelo Cariri e Ceará afora, estão aprendendo o beabá da política seguindo a cartilha de Ademar de Barros e Paulo Maluf.
Sorry, periferia política!!!!!





