

O querido Lúcio Brasileiro já contava 58 anos de colunismo no jornal O POVO. Das vezes em que falamos sobre esse apego dele ao Grupo de Comunicação comandado pelos herdeiros de Demócrito Dummar, ele sempre me dizia que isso era uma demonstração de que ele, LB, era um homem de bom convívio e fácil de lidar.

O colunista ao lado da grande amiga Wilma Patrício que foi o seu sustentáculo em vida e até na suas últimas horas entre nós.
Na verdade, isso era mesmo uma verdade; mas que o charme do nome de Lúcio ajudou o jornal O POVO a sobreviver editorial e economicamente, disso este colunista não tem a menor dúvida.
Lúcio Brasileiro era tão incomum que, diante do advento da imprensa digital — quando assistimos a vários colegas colunistas sucumbirem por não se adaptarem à novidade revolucionária —, ele preferiu não aderir aos meandros dessa nova modalidade jornalística, continuando com seu jeito todo próprio de se conduzir profissionalmente e, ainda assim, vinha conseguindo surfar muito bem.
É bom saber que LB se consagrou como o único colunista brasileiro a ter seu nome inserido no livro Guinness Book of World Records, como o colunista mais longevo na área de notícias sociais.
Conheci pra valer o Lúcio Brasileiro em uma festa social no Clube Náutico Atlético Cearense. Eu ainda era principiante na arte do colunismo, e ele já estava consagrado. Todos que chegavam a Fortaleza já ouviam falar da fama do jornalista em questão.
Fui na adolescência a algumas festas em sua casa, construída pertinho da residência de meu tio, também jornalista famoso, Edilmar Norões. Os dois mantinham uma amizade bastante respeitosa e admirável.

Lúcio ao lado de dois amigos Givaldo Sisnando e José Carlos Pontes
O tempo passou, o tempo voou, e eis que consegui me aproximar ainda mais dele pelas mãos do também amigo Givaldo Sisnando, que era seu amigo de fé, irmão camarada, amigo de tantos caminhos e de muitas jornadas (royalties para o cantor Roberto Carlos).
Foram anos de maior proximidade, que oportunizaram a LB me conhecer melhor e, todas as vezes, me receber de braços abertos quando eu aterrissava em Fortaleza. A última foi em uma roda de generosa cervejada, em uma loja de conveniência no Cumbuco, praia cearense que ele escolheu para morar nos últimos tempos.

Sua deferência para comigo era tão grande que chegou a me distinguir com o convite para participar de um almoço que promovia anualmente no apartamento de um tabelião rico e famoso de Fortaleza. Nessa ocasião, o colunista cearense escolhia, por sua livre e espontânea vontade, quatro convidados especiais para participar. É bom dizer que esses convites eram aguardados com grande ansiedade pela sociedade cearense, pois participar de um evento tão restrito não era para qualquer um.
Na época da pandemia, ele me honrou com esse convite, mas, por conta das restrições de voos devido ao coronavírus, não encontrei meios de me deslocar até nossa capital para atender a tão prestigioso chamamento.
O mesmo acontecia em suas festas natalinas, nas quais a presença do crème de la crème da sociedade cearense era uma constante.
Para coroar esta viagem pelo mundo do querido confrade, certa feita, em uma conversa descontraída, ele me encarou e me nomeou o “Lúcio Brasileiro do Cariri”, o que muito me orgulhou e me engrandeceu. Aceitei a distinção, mas lhe disse que passava a carregar uma enorme responsabilidade.

É bom saber que sou um dos poucos — segundo Givaldo Sisnando, o único caririense morador da região — a constar em seu livro anual Sociedade Cearense. Todos os anos, recebia telefonema de sua assessoria solicitando informações atualizadas sobre minha pessoa para constarem na publicação.

E assim contei um pouco de minha amizade com aquele que foi, em vida, a maior referência do colunismo social, não só para mim, mas para todos os colunistas sociais brasileiros.

Estou de luto. Estou triste. Sinto-me bastante desfalcado com sua última viagem: para o além.
Que Deus já esteja cuidando de tomar todas as providências para que você se adapte a essa sua nova morada.
Abraço, meu líder!





