
Olha, gente, diante do meu recuo dos agitos sociais neste último fim de semana, aproveitei para dimensionar o meu grau de percepção sobre a sucessão cearense. Daí que busquei conversar com empresários e jornalistas amigos de Fortaleza a respeito do assunto.

Ciro Gomes, diante da pesquisa reveladora – que aponta o ex-presidente Bolsonaro com pouquíssima influência no quadro da sucessão cearense, chegando a apenas 23%, enquanto Lula aparece com 41%, Camilo com 39% e Cid Gomes com 27% —, teve sua posição bastante impactada. Essa realidade mexeu muito com o suposto candidato oposicionista, que, dos bolsonaristas, quer apenas o suporte de Capitão Wagner e André Fernandes para robustecer seu número de votos na capital. De Bolsonaro, assim como sempre agiu Capitão Wagner, Ciro Gomes quer manter distância, pois ter seu nome ligado a ele provoca prejuízos.
Essa última onda criada por André Fernandes e Capitão Wagner, ao sugerirem o nome da vereadora Priscila Costa (PL) para vice-governadora de Ciro – e esta abrir mão de sua candidatura ao Senado para beneficiar Alcides Fernandes, pai de André -, fez o suposto candidato a governador se arrepiar. Isso não interessa ao tucano, que considera prejudicial ter uma bolsonarista como vice. Ele, na verdade, almeja — e daí a razão de sua indefinição — captar algum grupo político ligado ao governador Elmano de Freitas para compor sua chapa. Ciro Gomes também avalia que duas vagas ao Senado para o PL é “muita areia para o caminhãozinho deles” (Alcides e Capitão Wagner); imagina, então, uma chapa totalmente composta por bolsonaristas sem grande relevância. Afinal, Bolsonaro pode ter muito prestígio nas regiões Sul e Sudeste, mas, no Nordeste, quem dá as cartas é a esquerda, leia-se Lula da Silva.
Outro ponto que não repercutiu bem — e Priscila sabe disso — foi a tentativa de usar seu nome em vão. Priscila já é candidata ao Senado com as bênçãos da ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, portanto alinhada com a candidatura governamental do senador Eduardo Girão, que é o único direitista com senso lógico e que não foi “abduzido” pela armadilha de Ciro Gomes. Ele sustenta sua candidatura por entender que poderá ser a salvação dos direitistas cearenses que se encantaram com outras vozes que não as da família Bolsonaro.

Anotem aí: Ciro Gomes só será candidato se conseguir a adesão de outras forças que não tenham qualquer identidade com o bolsonarismo. Achar que ele aceitaria entrar numa empreitada cercado por André Fernandes, Alcides Fernandes e Capitão Wagner não configura, definitivamente, uma composição ampla que lhe dê segurança para enfrentar uma disputa tão complexa como a sucessão cearense, na qual o adversário dispõe de toda a estrutura de forças federal, estadual e municipal.
Meus interlocutores deste fim de semana afirmaram ter certeza de que Ciro Gomes deve estar rindo e impressionado com o amadorismo desses direitistas cearenses que nele se apoiaram, agindo com esperteza e enxergando em sua figura a única chance de alçar voos mais altos na política cearense. Tenho dito aqui neste espaço que Ciro Gomes não é homem de meter as mãos em boca de cumbuca. Sendo assim, estamos mais do que conversados.
Sorry, periferia política!








