
Saí sábado para carnavalisar com uma amiga sensacional — dessas que estão sempre de bem com a vida, pessoa do bem, extremamente respeitosa. No entanto, não tolera gente gaiata, metida a engraçada com quem pouco conhece ou até conheça; é intolerante apenas nesse aspecto, porque, nos demais, é uma pessoa pra lá de trilegal.

Pois bem, fomos a determinado ambiente e nos acomodamos em uma mesa para tomarmos umas e outras — sobretudo para fazer jus ao carnaval. Eis que, de repente, chega um conhecido, mais meu do que dela, e inicia conversas sem a menor graça. O sujeito foi indo, foi indo, até chegar ao limite do tolerável.

Veio, então, a reprimenda da minha amiga ao gaiato. O cara, pálido, chamou-me para um canto do lugar e veio com o lero-lero de que minha amiga era uma tremenda boçal. Foi aí que eu lhe disse, sem tirar nem pôr:
- “Cara, tu chegas já meio alterado por conta das biritas que tomaste, começas uma sessão de perturbação com alguém que nem conheces direito e ainda vens chamar a mulher de boçal? Convenhamos, isso é triste.
Fui mais adiante:
- “A gente tem que respeitar os nossos interlocutores, evitar desdenhá-los, não insistir em assuntos quando a pessoa se mostra intolerante, chamar as pessoas pelos seus nomes e sobrenomes, evitando apelidos ou outros adjetivos poucos recomendáveis, evitar piadas ou brincadeiras com quem não te dá a devida liberdade. É preciso também evitar comentários desditosos ou maledicentes quando o cidadão ou a cidadã se ausenta da mesa ou do ambiente. Agir assim é respeitar as pessoas, pois, afinal, respeito é bom, todo mundo gosta e todo mundo merece.“
Não adianta este ou aquele me contactar querendo saber quem é a pessoa de quem estou falando, pois com ela me comprometi a não revelar seu nome. Escrevo apenas este comentário para que sirva de alerta, conselho ou algo que o valha, na tentativa de transmitir uma lição de convivência interpessoal.
Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia!







