

João de Zeca foi um daqueles prefeitos que, além de liderança respeitada em Aurora, no nosso abençoado Cariri, tinha um dom raro: a irreverência. Era mais que um homem público querido; uma verdadeira lenda viva, dessas que, mesmo depois de partir, deixam um rastro de histórias que o povo adora contar.
Tive o privilégio de ser seu amigo e de compartilhar muitos causos, tanto em vida quanto depois que ele embarcou rumo ao céu, onde, sem dúvida, já deve ter aprontado algumas.

Uma vez, em plena campanha, um eleitor dele foi até a zona rural e, em seu nome, entregou dois rolos de arame a uma família onde havia exatos doze votos. Como fofoca corre mais rápido que notícia ruim, logo se espalhou que João de Zeca estava distribuindo “rolo de arame” para garantir votos.
O juiz eleitoral, sério e zeloso, mandou um fiscal intimá-lo.
“Seu João, é verdade que o senhor mandou deixar dois rolos de arame na casa de um eleitor? Isso é crime”, advertiu a autoridade.
Mas João de Zeca, com a calma de quem já tinha resposta para tudo, explicou:
“Seu doutor, eu mandei entregar, sim, mas foi por bondade! Não tem nada a ver com eleição, não. E, aliás, não tem crime nenhum, porque rolo de arame sem os grampos e sem as estacas não serve pra nada”.
Diante de tamanha lógica, o juiz suspirou, coçou a cabeça e liberou João de Zeca, que saiu de lá com o sorriso de quem sabia das coisas.
Hoje, lá no céu, certamente ele já contou essa e outras histórias para São Pedro e os anjos, que devem estar rindo até agora!







