

O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) resolveu, então, ser candidato a governador nas eleições deste ano. Conhecido como um tremendo “espalha-brasas”, enfrentará a eleição mais difícil de sua trajetória. Isso porque, quando foi candidato a prefeito de Fortaleza, em 1988, já havia enfrentado dificuldades para vencer o então deputado e radialista Edson Silva (PDT). Naquela ocasião, contou com o apoio de Tasso Jereissati, da máquina do Governo Estadual e do aporte eleitoral do PMDB, seu partido à época — uma legenda fortíssima, que inclusive tinha em seus quadros o então presidente da República, José Sarney.
Posteriormente, disputou o governo do Estado com o apoio de Tasso Jereissati, que era governador e dominava a política estadual com mão de ferro, sendo inclusive tachado pelos adversários de “Coronel do Asfalto”.
Depois, foi candidato a deputado federal, novamente com o apoio da máquina estadual, elegendo-se com extrema facilidade. A partir daí, iniciou a peleja para chegar à Presidência da República. Na primeira tentativa (1998), contando com o apoio de Tasso Jereissati, que havia retornado ao governo do Ceará, obteve 10,97% dos votos; na segunda (2002), alcançou 11,97%; e, por último, em 2022, distante tanto de Lula quanto de Tasso Jereissati, obteve seu pior desempenho: apenas 3,04% dos votos.
Nas eleições estaduais passadas, já sem o mesmo poder de mando dentro de sua coligação — afinal, político sem votos não tem voz nem comando —, rebelou-se contra o próprio irmão, Cid Gomes (PSB), e contra o amigo Camilo Santana (PT). “Chutou o pau da barraca” e lançou como candidato o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que perdeu fragorosamente para o atual governador, Elmano de Freitas (PT), apoiado por Lula, Camilo Santana e Cid Gomes. Seu candidato terminou na última colocação.
Por fazer política com o fígado, e não com a razão, seus irmãos Cid, Ivo e Lia Ferreira Gomes não o seguirão nesta empreitada atabalhoada. Eles avaliam que Ciro entrará pela contramão da história e que, com a derrota iminente em outubro de 2026, deverá cair no ostracismo político — destino característico de políticos que perdem a lógica da sobrevivência. Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






