
Merval Pereira
O Globo

Se juntarmos a multidão de milhões de evangélicos reunida na Marcha para Jesus com a pesquisa DataFolha que mostra que a maioria dos brasileiros prefere o trabalho independente a ter carteira assinada, teremos um bom retrato da realidade brasileira.
A esquerda brasileira não entendeu ainda o que se passa na cabeça dos brasileiros de classe média, que procuram um sentido de prosperidade pessoal em seu trabalho e em sua religião.

BOLSONARISTAS – A maioria dos que preferem um trabalho autônomo para ganhar mais é de eleitores do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro.
O último censo mostrou que os evangélicos continuam crescendo, e a Teologia da Prosperidade, vendida por pastores menos ortodoxos, encontra mentes ávidas por uma saída do cotidiano de precariedade.
A esquerda brasileira, especialmente o PT, nascida da Teoria da Libertação, não encontrou o respaldo permanente na Igreja Católica e, juntamente com ela, perdeu espaço no seio dos desvalidos.

POLITIZAÇÃO – Da mesma maneira que a Igreja Católica refreou a Teoria da Libertação por sua politização, a politização das igrejas evangélicas está chegando a tal ponto que provoca uma evasão de fiéis para igrejas mais tradicionais, que vendem a espiritualidade em vez da prosperidade inatingível.
A Marcha para Jesus é exemplar de um movimento religioso aparelhado por pastores políticos e políticos populistas que misturam a fé religiosa com objetivos eleitorais.






