

O povo já não suporta políticos que, hoje em dia, não fazem outra coisa senão intervenções voltadas para postagens na internet. Este colunista sabe muito bem que o tempo que a gente despende nessas gravações é imenso; mas, como a profissão jornalística exige isso para que permaneçamos ativos no dia a dia da informação, temos que nos submeter — afinal, escolhemos, de livre e espontânea vontade, essa profissão.
Existem políticos que acreditam que a exposição diária e sem precedentes é favorável aos seus projetos de poder. Não é, em absoluto. Como diz o velho adágio popular: “tudo demais é veneno”.
No cenário político atual, as redes sociais são uma espada de dois gumes: enquanto oferecem uma plataforma sem precedentes para comunicação e engajamento direto com o eleitorado, também apresentam riscos significativos para a reputação e a carreira dos políticos. A gestão inadequada desses canais pode levar a crises de imagem, à disseminação de informações falsas e à perda de confiança do público.
Como as redes sociais amplificam tanto acertos quanto erros, um deslize pode rapidamente se tornar viral, afetando negativamente a percepção pública de um mandato. Nesse contexto, surge a pergunta: os políticos estão preparados para navegar por essas águas turbulentas, protegendo-se dos riscos enquanto maximizam as oportunidades de conexão com os cidadãos? Respondo-lhes: não estão.
É fundamental compreender que cada postagem, comentário ou compartilhamento constrói a imagem pública do político e, por isso, deve ser cuidadosamente planejado e analisado. Um deslize digital pode não só gerar repercussões negativas imediatas, mas também afetar, de forma duradoura, a percepção pública sobre sua integridade e competência.
O pior é quando o indivíduo assume, nas redes sociais, o papel de salvador da pátria, prometendo que, ao chegar ao poder, trará o céu à terra. Caso venha a ocupar o cargo almejado, verá que nada cai do céu. É aí que o eleitor, que tem à sua disposição todas as promessas e críticas feitas ao adversário que estava no poder — enquanto ele desempenhava o confortável papel de oposição —, cobra resultados.
É nesse momento que mora o perigo, pois o político perceberá que a realidade de uma prefeitura é severa, que não há recursos sequer para resolver os problemas mais comezinhos. Ainda assim, terá que pagar a fatura por ter vendido gato por lebre. O povo se voltará contra ele, exigindo a nova ordem que tanto prometeu.
Sabe o que está acontecendo com essas figuras sofismáticas? Ou são enxotadas do poder antes do término do mandato, ou são expulsas da vida pública, como espuma ao vento. A ira do eleitor contra os enganadores da fé pública, de forma alguma, é passageira — não é algo que vem e vai como uma brincadeira. O buraco é mais embaixo.
Sendo assim, estamos mais do que conversados. Desculpe-me, periferia política!






