

Vocês acreditam que este colunista tem um amigo, residente em Fortaleza, frequentador das altas rodas da sociedade alencarina, casado com uma mulher de fino trato, elegante e de elevado padrão social, que conseguiu transformar a própria vida num verdadeiro desastre por conta dessa polarização política que tomou conta do Brasil?
Pois é, minha gente! A política, que deveria ser instrumento de diálogo, convivência democrática e respeito às diferenças, está deixando muita gente com os nervos à flor da pele. Quando o sujeito não é apaixonado por Lula, é devoto de Bolsonaro. E é justamente aí que mora o perigo: quando a preferência política deixa de ser uma convicção e se transforma numa verdadeira obsessão.
Mas vamos ao personagem desta história, que, por razões óbvias, terá sua identidade preservada.
O meu amigo começou a bagunçar a própria existência quando resolveu abraçar o bolsonarismo com uma paixão tão desmedida que perdeu a capacidade de ouvir qualquer opinião contrária. Para ele, Jair Bolsonaro passou a representar a última reserva moral, política e administrativa do Brasil. Imaginem vocês!
E olhem que, na minha avaliação, o ex-presidente Jair Bolsonaro nunca foi propriamente um exemplo de equilíbrio e sensatez. Durante sua passagem pelo Palácio do Planalto, parecia não conseguir atravessar uma semana sem produzir alguma declaração polêmica, criar uma controvérsia ou sacudir o coreto nacional. Se o ex-presidente Jânio Quadros ficou conhecido por suas extravagâncias políticas, Bolsonaro, no meu entendimento, conseguiu produzir uma versão ainda mais tumultuada daquele estilo.
Mas retornemos ao meu amigo fortalezense, porque a história é de lascar o cano!
O homem começou a ficar tão intolerante que sua presença nos ambientes sociais passou a provocar um verdadeiro Deus nos acuda. Bastava chegar a uma mesa para transformar uma conversa agradável numa discussão política interminável. Não havia espaço para amenidades, novidades sociais, negócios, viagens ou mesmo uma boa fofoca. Tudo terminava em Bolsonaro, Lula, direita, esquerda e naquela ladainha que ninguém mais suportava.
Resultado? Os amigos começaram a se afastar. E vejam que detalhe curioso: muitos daqueles que passaram a evitá-lo eram simpatizantes da própria direita! Quer dizer, o problema não era sua preferência ideológica, mas a intolerância que havia tomado conta de seu comportamento.
Quando ele aparecia nos encontros, alguns faziam aquela tradicional cara de poucos amigos. Outros, mais espertos, inventavam compromissos de última hora e tratavam de desaparecer antes que o homem puxasse uma cadeira e começasse seu interminável discurso político.
Mas o pior ainda estava por acontecer!
A esposa, uma mulher inteligente, socialmente respeitada e também identificada com posições políticas de direita, começou a demonstrar preocupação com o comportamento do marido. Aconselhava-o a moderar os excessos, respeitar as opiniões alheias e até procurar acompanhamento psicológico, tamanho era o desgaste provocado por suas atitudes.
Só que o nosso personagem não queria saber de conselho, ponderação ou conversa civilizada. Na sua cabeça, quem não concordasse com suas ideias estava automaticamente errado.
Até que a paciência da esposa chegou ao limite!
Cansada das discussões, do radicalismo e da convivência cada vez mais desgastante, segundo o relato que chegou a este colunista, a mulher resolveu colocar um ponto-final no casamento. Arrumou suas coisas, deu um adeus ao companheiro e deixou o apartamento onde haviam construído tantos anos de vida em comum.
E sabem qual foi o resultado dessa verdadeira tragédia doméstica?
O homem, de tanto defender Bolsonaro, acabou perdendo a mulher, afastando os amigos e ficando sozinho com suas convicções políticas!
É mole ou querem mais?
Imaginem a situação! O sujeito tinha uma esposa, uma vida social privilegiada, amigos influentes e todas as condições para desfrutar de uma existência agradável. Mas preferiu transformar a política numa espécie de religião particular, colocando a devoção a um líder acima da própria felicidade.
E não pensem que estou dizendo que esse comportamento é exclusividade dos bolsonaristas. Fanatismo político, venha de onde vier, é uma praga que destrói amizades, separa famílias e transforma pessoas outrora agradáveis em criaturas absolutamente insuportáveis.
Agora, cá entre nós, trocar a tranquilidade do lar, o carinho da esposa e a companhia dos amigos por uma idolatria política é um negócio que não entra na minha cabeça!
E sabem o que é mais engraçado? Vez por outra, esse meu amigo ainda resolve me telefonar para conversar sobre política. Quando percebo que a conversa vai descambar para aquela velha pregação bolsonarista, trato de encurtar o assunto. Não estou disposto a transformar meus ouvidos em depósito de discursos repetitivos.
Tenho mais o que fazer, minha gente!
Afinal, político nenhum merece que alguém sacrifique sua paz, sua família, suas amizades e muito menos seu casamento. Presidentes passam, governos terminam, eleições se sucedem, mas os estragos provocados pela intolerância podem permanecer por uma vida inteira.
Moral da história: quem transforma político em santo corre o risco de transformar a própria vida num verdadeiro inferno!
E quanto ao meu amigo, só me resta desejar que recupere o bom senso e descubra que existe vida muito mais interessante fora das intermináveis trincheiras da política.
Vai-te pra lá, cara-pálida! Não quero nem escutar a zoada dessa mutuca!
Estou fora! Sorry, periferia política!!!!!




