Roseann Kennedy e Julia Lindner
Estadão

O senador Sergio Moro (União-PR) afirmou à Coluna que “não tem nada a esconder” sobre a possível audiência com Tacla Duran e Tony Garcia na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) da Casa, que deve ocorrer até a próxima semana. Moro questionou o fato de a Operação Lava Jato não ter, em tese, correlação com o escopo do colegiado.
“Vamos ver se esse requerimento vai ser apreciado. A gente nunca tem nada a esconder. Mas é um tema fora das atribuições da comissão”, disse o parlamentar à Coluna. Apesar da clara provocação de seus adversários, Moro afirmou que não considera que a iniciativa visa atingi-lo. Ele acrescentou que é preciso “aguardar os desdobramentos”.
CONSTRANGIMENTO – Como mostrou a Coluna, aliados do Palácio do Planalto preparam uma sessão de constrangimento a Moro antes da sabatina do advogado Cristiano Zanin na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), o líder do PSD, Otto Alencar (BA), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentaram um requerimento à Comissão de Transparência para ouvir Tacla Duran e Tony Garcia.
Ambos denunciaram supostos excessos da Operação Lava Jato, que foi comandada por Moro. Membro titular do colegiado, o senador paranaense não respondeu se vai participar da sessão.
ZANIN NO SENADO – Sobre o fato de o advogado de Lula, Cristiano Zanin, ter desviado do seu gabinete, mais cedo, Moro afirmou que está aberto para discutir e que é preciso perguntar ao indicado se ele pretende se reunir com todos os senadores.
Depois, indagado sobre a sabatina de Zanin, Moro evitou antecipar quais temas pretende abordar, e disse que os “questionamentos pertinentes” serão feitos.
Zanin está percorrendo todos os gabinetes, para pedir apoio à sua nomeação ao cargo de ministro do Supremo Tribunal.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Será que o doleiro Tacla Duran irá mesmo a Brasília ou pretende dar mais uma embromada com uma videoconferência diretamente de Madri? No depoimento anterior, ele exibiu provas grotescamente forjadas, e agora há duas possibilidades: ou as reapresenta pagando mico ou mostra novas versões, sem os erros que identificamos no depoimento anterior.
O doleiro Tacla Duran é um mistério. A única coisa certa sobre ele, além de ser réu confesso de lavagem de dinheiro e uso de notas fiscais falsas, em depoimento à Justiça espanhola, é que está faturando alto ao representar o lobby montado pelos irmãos Wesley e Joesley, do grupo JBS/Friboi, que querem se livrar da multa de quase R$ 10 bilhões que ainda devem à Lava Jato. E os empreiteiros estão juntos na mesma aventura, que conta com apoio entusiástico de Lula, Dirceu, Kakay e Cia. Limitada.