SE GALÍPOLO DISSER O QUE SABE, O MERCADO FINANCEIRO BRASILEIRO VAI SOFRER UM GRANDE BAQUE

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Pedro do Coutto

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo: está diante de um grande dilema

Há crises que não explodem — elas se armam. Silenciosas, técnicas, cheias de notas de rodapé e contratos que ninguém explica direito. O caso do Banco Master, tal como vem sendo descrito por jornalistas experientes e bem informados, é uma dessas situações em que o problema maior não está apenas nos números, mas no que eles sugerem.

Elio Gaspari, em sua coluna dominical, chamou atenção para a posição delicada em que se encontra o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Delicado é pouco. Trata-se de uma clássica sinuca de bico — ou, como gostam os jogadores mais antigos, uma sinuca de vidro: qualquer tacada em falso estilhaça o jogo inteiro.

PRECEDENTE – O dilema é simples de formular e quase impossível de resolver. Se Galípolo disser tudo o que sabe sobre o processo envolvendo o Banco Master, poderá alterar de forma profunda — e talvez irreversível — a relação do Banco Central com instituições financeiras em dificuldade. Criaria precedente, exporia métodos, revelaria bastidores. Se não disser, alimenta suspeitas num ambiente já saturado de desconfiança.

Gaspari sugere que falar demais significaria, para Galípolo, colecionar inimigos em escala industrial. Não um ou dois adversários circunstanciais, mas um milhão deles, para lembrar — ironicamente — a canção de Roberto Carlos. O silêncio, por outro lado, cobra seu preço político e institucional.

O ponto mais sensível do caso não está apenas na inadimplência do banco ou em seu processo de liquidação. O que intriga é a assimetria entre os valores envolvidos. Uma dívida que gira em torno de dezenas de bilhões contrasta com a existência de um contrato de prestação de serviços jurídicos que pode alcançar cerca de R$ 129,6 milhões ao longo de três anos — cifras elevadas para serviços cuja natureza jamais foi plenamente esclarecida ao público.

LEGALIDADE – Segundo relatos já publicados na imprensa, o escritório contratado tem entre seus integrantes a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Não há, até aqui, acusação formal de ilegalidade. Mas, em política e em regulação financeira, a legalidade estrita raramente é suficiente para afastar o problema central: a percepção.

Malu Gaspar, uma das jornalistas mais respeitadas do país quando o assunto é poder e bastidores, também apontou para os honorários considerados fora da curva no contexto da operação. 

Some-se a isso a pressão em torno do processo de venda do Banco Master a uma instituição regional de Brasília, operação que depende diretamente do aval do Banco Central. Nesse cenário, qualquer contrato, qualquer parecer, qualquer silêncio ganha peso político.

DISFUNÇÃO – O caso é emblemático porque escancara uma disfunção recorrente no Brasil: a dificuldade de separar, de forma visível e convincente, técnica, poder e relações pessoais. Não se trata, necessariamente, de afirmar desvios, mas de reconhecer que a arquitetura institucional brasileira continua vulnerável à dúvida — e a dúvida corrói a confiança.

O Banco Central construiu, ao longo das últimas décadas, uma reputação de autonomia técnica que sobreviveu a governos de diferentes matizes ideológicos. Essa reputação não se perde de um dia para o outro, mas pode ser arranhada por episódios mal explicados, especialmente quando envolvem cifras elevadas, contratos opacos e personagens centrais da República.

Galípolo está, portanto, diante de uma escolha ingrata. Falar pode desorganizar o sistema. Calar pode desgastá-lo. A saída clássica da sinuca de bico — a jogada segura — talvez já não exista. Resta saber se o Banco Central conseguirá atravessar o episódio preservando algo que vale mais do que qualquer contrato ou banco específico: a confiança pública. Porque, no fim, crises financeiras passam. Crises de credibilidade, não.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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