

Que coisa boa! Assim um político de alto coturno se expressou ao saber que está próximo o fim de o Ceará se livrar de uma das últimas oligarquias familiares nordestinas. Há mais de 50 anos, a família Ferreira Gomes vive às custas do Estado do Ceará.
Vamos deixar o pai deles de lado, o senhor Euclides Ferreira Gomes, que iniciou essa trajetória lá na cidade de Sobral. Vamos nos ater a Ciro Gomes em diante. Esse político começou muito cedo a usufruir das tetas públicas ao se aliar aos coronéis da política cearense. Candidatou-se a deputado estadual em 1982 pelo velho PDS, ficando na primeira suplência, para logo assumir a titularidade do mandato.
Quando Tasso Jereissati venceu sua primeira eleição para governador do Ceará, em 1986, Ciro, então deputado estadual, tratou logo de se aproximar do poder nascente. Daí foi um pulo para chegar a prefeito de Fortaleza, depois governador, e, em seguida, começou a trazer a família para a política. Iniciou com Cid Gomes como deputado estadual, depois presidente da Assembleia Legislativa, prefeito de Sobral e, logo a seguir, candidato a governador do Ceará, vencendo com o apoio de Tasso Jereissati que, por baixo dos panos, numa nítida traição ao então governador aliado, Lúcio Alcântara, selou o acordo.
Ao chegar ao Governo do Estado, Cid Gomes tratou logo de lançar o outro irmão, Ivo Gomes, como candidato a deputado estadual. Foi eleito com o anteparo da máquina estadual; depois tornou-se chefe de gabinete do irmão e secretário estadual de Educação. Daí foi um pulo para chegar a prefeito de Sobral. A ex-esposa de Ciro Gomes, Patrícia Saboya, também foi cooptada para a política, chegando a vereadora de Fortaleza, senadora da República e deputada estadual. Em 2014, ganhou vitaliciamente o apetitoso cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará. Patrícia Saboya tentou por duas vezes chegar à Prefeitura de Fortaleza, mas o eleitor a barrou no baile.
Por último, temos a irmã Lia Gomes, que também ingressou na vida pública. Nas eleições passadas, foi eleita deputada estadual e nomeada secretária de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos. Atualmente, é deputada estadual e novamente secretária no Governo Elmano de Freitas, exercendo a pasta de Secretária Estadual das Mulheres do Ceará.

Irmãos Cid, Ivo, Ciro, Lúcio e Lia Ferreira Gomes felizes da vida com o que o Ceará proporciona a eles: sombra e água fresca.
Em tempo: não podemos esquecer o outro irmão que não entrou na política partidária, o senhor Lúcio Ferreira Gomes, que vive enganchado nas tetas do Governo Federal. Atualmente, exerce o comando da Companhia Docas do Ceará. Empregão bom pra chuchu.
Quer dizer, dos coronéis até os dias de hoje, essa família vive às custas do poder público e ainda querem dizer que Ciro Gomes é a renovação que tantos esperam. São 20 anos de coronelismo, 24 anos de Tasso Jereissati, oito anos de Cid Gomes, oito anos de Camilo Santana e agora mais quatro anos de Elmano de Freitas, totalizando 64 anos de concentração de poder.
O Maranhão se livrou das oligarquias familiares dos Sarney; a Bahia, da família Magalhães; o Rio Grande do Norte, da família Maia; e outros estados nordestinos também romperam com seus clãs políticos. Mas aqui continua persistindo a família Ferreira Gomes, que agora tenta travestir Ciro Gomes de renovação. Renovação coisa alguma.
Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






