

João José Pereira de Lyra nasceu em 1931, no Recife.
Mas foi em Alagoas, filho do usineiro Salvador Lyra, que sua história de negócios começou de verdade.
Ainda adolescente, já trabalhava na propriedade da família e aprendeu cedo como funcionava o negócio da cana.
Aos 17 anos, começou a colocar a mão na massa.
Décadas depois, tinha construído um dos maiores grupos sucroalcooleiros do Brasil.
No auge, controlava cinco usinas, entre Alagoas e Minas Gerais, cerca de 40 mil hectares de terra e dezenas de milhares de funcionários.
Também era dono de rádio, jornal e uma empresa de táxi aéreo.
Em 2010, declarou um patrimônio de aproximadamente R$ 240 milhões e chegou a ser apontado como o deputado federal mais rico do Congresso.
Parecia que nada poderia derrubar aquele império.
Mas o patrimônio crescia junto com a influência política, e não sempre de forma sustentável.
Lyra entrou na disputa pelo governo de Alagoas em 2006. Segundo informações da época, a campanha consumiu cerca de R$ 60 milhões.
Ele perdeu. Muitos consideram que ali começou o efeito dominó.
Depois da derrota eleitoral, os problemas financeiros começaram a se acumular.
Vieram atrasos, renegociações e cobranças. Bancos brasileiros e estrangeiros tentaram recuperar bilhões de reais em empréstimos.
As dívidas foram renegociadas diversas vezes. Mas o rombo continuava aumentando.
Em 2012, veio a notícia que parecia impossível: a Justiça decretou a falência do grupo.
O homem que controlava um dos maiores impérios do agronegócio brasileiro via suas empresas quebrarem uma após a outra.
E as dificuldades financeiras eram apenas parte da história.
Ao longo da vida, Lyra também esteve no centro de outras polêmicas: foi apontado pelo Ministério Público como suposto mandante do assassinato de um fiscal da Receita estadual, acusação que terminou sem condenação após a prescrição do processo.
Seu nome também apareceu nos Panama Papers, investigação internacional sobre contas em paraísos fiscais.
Reportagens da época também citaram uma doação milionária para a campanha presidencial de Fernando Collor, em 1989.
Quando a falência já estava decretada, um episódio à parte chamou atenção: um presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, considerado próximo ao empresário, chegou a suspender o processo durante um plantão de domingo. A decisão foi revertida, e o processo seguiu adiante.
João Lyra morreu em 2021, vítima de complicações da Covid-19.
Segundo o processo de falência, deixou um passivo próximo de R$ 3 bilhões, com cerca de 19 mil credores.
Até hoje, muitos aguardam uma solução da Justiça. O processo já ultrapassa 100 mil páginas.
Décadas para construir. O empresário que acumulou terras, usinas e empresas deixou como legado um dos processos de falência mais longos e complexos da história do agronegócio brasileiro.







