PREGAVA COSTUMES, PRATICAVA DESVIOS: MAIS UM MILAGRE DA BANCADA EVANGÉLICA

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Por João Guató

De repente, dezembro resolveu enfeitar a política brasileira com mais uma bola podre na árvore de Natal. A Polícia Federal bateu asas, sacudiu o poleiro e caiu uma pena conhecida: o deputado Sóstenes Cavalcante, esse souvenir do Rio de Janeiro enviado ao Congresso como quem manda uma canga enferrujada embrulhada para presente. Dizem que é representante da moral, da família e dos bons costumes — costumes, aliás, muito bem-acostumados a frequentar cofres alheios.

A operação, com o poético nome de “Galho Seco”, não poderia ser mais precisa. Seco não está só o galho, meu caro leitor, mas o tronco, as raízes e até a sombra. A árvore inteira padece de uma praga curiosa: umas plantinhas parasitas que se vestem de flores perfumadas, falam em nome de Deus, mas sugam tudo que encontram pela frente — inclusive o orçamento público. É fotossíntese da sacristia: entra luz divina, sai dinheiro vivo.

Nos corredores do Congresso — aquele santuário onde a ética entra sem sapatos e sai sem carteira —, o espanto foi grande. Como assim? Um paladino dos bons costumes envolvido em coisa feia? Um moralista com as mãos sujas? Que surpresa tão inesperada quanto chuva em dia de enchente. O mesmo parlamentar que bradou contra o aborto, contra o corpo alheio, contra tudo que não coubesse no seu catecismo político, agora aparece sob suspeita de praticar o velho milagre da multiplicação… não dos pães, mas dos desvios.

A moral, nesse caso, funciona como capa de chuva em furacão: serve mais para posar na foto do que para proteger da tempestade. Quando a virtude vira slogan e a Bíblia, biombo, qualquer investigação soa como perseguição religiosa — ainda que o santo de barro esteja rachando de tanto pecado administrativo.

E não nos enganemos: não é um caso isolado, é um coral. Um segmento inteiro que trocou o púlpito pelo balcão, a fé pelo recibo, e o templo pela tesouraria. Vendilhões modernos, com CNPJ, assessoria parlamentar e discurso inflamado contra “a corrupção dos outros”. Tudo em nome de Deus, que deve estar pedindo prestação de contas faz tempo.

Já passou da hora de uma faxina geral, daquelas que não poupam nem o incenso. Porque fé não combina com peculato, Bíblia não é cofre, e moralidade não deveria servir de álibi. No mais, seguimos assistindo a esse teatro bufo onde os atores pregam virtude de manhã e ensaiam escândalo à tarde. E o público, cansado, já sabe: quando o sermão é demais, desconfie do dízimo.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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