

Pouco a pouco, os mais apressadinhos que avançaram o sinal vermelho logo de início e aderiram de vez ao projeto pessoal de Ciro Gomes de retornar ao comando do Estado do Ceará vão caindo na real e se impacientando. Afinal, desde que se insinuou como candidato e, hoje, já assume a pré-candidatura a governador, nada de especial aconteceu em seu entorno. Nenhuma liderança que esteja ao lado de Cid Gomes, Camilo Santana ou Elmano de Freitas acenou sequer remotamente com a possibilidade de apoiar Ciro Gomes. Quem o conhece sabe que ele não é capaz de honrar qualquer tipo de acordo político.
Traiu Domingos Filho, Eunício Oliveira, Izolda Cela e o próprio irmão, Cid Gomes. Sem falar na facada que deu em Camilo Santana e em Luizianne Lins. Essa gente prefere ver o cão chupando mariola a tentar sequer se aproximar novamente desse cidadão arrogante e sem palavra.

Ciro Gomes, depois de decidir se candidatar ao Governo do Estado, aconselhado por Tasso Jereissati — que já passou do prazo de validade —, só conseguiu levar consigo um “pedaço” da direita: os bolsonaristas oportunistas André Fernandes e seu pai, Alcides Fernandes, que sonha em chegar ao Senado da República, mas certamente não chegará, pois não tem cacife político nem capacidade para tanto.

Capitão Wagner, que já tentou de tudo para mudar de endereço — ou seja, amarrar sua vaquinha no Palácio da Abolição —, não conseguiu. Depois tentou amarrá-la no Palácio do Bispo; também não conseguiu. Agora, em 2026, tentará sua última cartada: a Câmara Alta do País. Vai perder mais uma vez. É o tipo de político que inicia a corrida eleitoral com excelente desempenho, mas termina sempre na lanterninha. Já apanhou eleitoralmente demais esse rapaz.

Senador Eduardo Girão e Ciro Gomes
A entrada de Eduardo Girão no jogo da sucessão atrapalhou seus planos. Quer dizer, nem a direita que ele e todos pensavam atrair para o seu show vem demonstrando apreço por seu mais novo circo. Com um perfil ideológico mais radical e fidelidade absoluta ao bolsonarismo raiz, Girão tornou-se um polo natural de atração desse grupo, dificultando qualquer adesão plena ao projeto cirista. Vejo que o deputado estadual Carmelo Neto e sua esposa, vereadora em Fortaleza, até agora não se manifestaram — e olhe que ambos são bolsonaristas de carteirinha.
No fim das contas, como bem analisou o jornal Correio Sobralense, o movimento de Ciro não é apenas eleitoral; é defensivo. Ele tenta conter o avanço de uma força política que cresce à sua direita e ameaça reduzir ainda mais seu espaço no debate nacional e estadual. O problema é que, desta vez, o jogo parece menos controlável do que em outras disputas.
Escrevam aí: Ciro Gomes vai perder feio essa parada. Na última das hipóteses, se houver um segundo turno — coisa em que não acredito —, quem disputará com Elmano de Freitas será o senador Eduardo Girão, este sim o mais legítimo direitista e bolsonarista do Estado do Ceará. Os outros, como André Fernandes, Alcides Fernandes e Capitão Wagner, são políticos carreiristas que vivem pegando “bigu” nas máquinas políticas alheias.
O mais, ora, o mais: estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






