Marcela Mattos
Deputados que compõem o entorno mais próximo de Arthur Lira (PP-AL) tentam convencer o presidente da Câmara a pautar já na próxima semana o pedido de convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para prestar esclarecimentos.
Na última quinta-feira, 11, o deputado Mendonça Filho (União-PE) protocolou um requerimento que obriga o ministro a comparecer ao plenário da Câmara. O objetivo é que ele explique a declaração de que é necessário ajustar “aquilo que tem um cheiro ruim de falta de moralidade”, em referência à desestatização da Eletrobras, e que a forma como a privatização foi conduzida é “ilegal”.
DEPENDE DE LIRA – A convocação precisa ser aprovada pela maioria do plenário, e cabe ao presidente da Câmara pautar a medida.
A declaração de Lira caiu muito mal entre os principais caciques do Congresso, visto que a maioria deles avalizou o projeto que viabilizou a desestatização, em 2021. Além disso, a declaração acontece num momento em que o governo enfrenta dificuldades na articulação política e vê a sua base governista esgarçada.
O próprio Lira estava no comando da Câmara quando o texto foi aprovado. O relator foi o deputado Elmar Nascimento (União-BA), aliado de primeira hora de Arthur Lira. O argumento usado para que o requerimento seja acatado é que, ao dizer que tem um “cheiro ruim”, o ministro ataca e coloca em suspeição os principais articuladores da matéria.
SERÁ CONVOCADO – O líder de um partido governista afirmou à Veja que, por causa do posto que ocupa, deve adotar posição contrária ao requerimento. Mas admite que, no atual clima de beligerância, os parlamentares devem acabar dando aval à convocação.
Segundo ele, o próprio Arthur Lira vem demonstrando irritação com os principais articuladores do Planalto, o que pode impulsioná-lo a aceitar a reprimenda ao ministro.
A ida de ministros ao Congresso é comum dentro das comissões, com um número reduzido de parlamentares e menor foco de atenção. Já as convocações no próprio plenário da Câmara, que conta com a participação dos 513 deputados, acontecem em situações mais extremas. Um caso que se tornou emblemático foi em 2015, quando o então ministro da Educação, Cid Gomes, compareceu ao plenário da Câmara, chamou deputados de “achacadores” e acabou demitido após a sessão.






