
NÉLIO FALCÃO

Localizava-se no trecho final da Rua Nelson Alencar. Eram dezenas de casas vizinhas, ligadas uma a outra. Todas as noites era aquela algazarra: músicas estridentes, gritarias, um alvoroço.
As famílias residentes nas proximidades reclamavam, suplicavam às autoridades o deslocamento daqueles lupanares para fora da cidade, e, não obstante, a situação continuava inalterável, a mesma.
Chegou o dia em que assumiu o exercício da Comarca a Dra. Auri Moura Costa. Mulher culta, forte, voluntariosa, enérgica, que determinou, sem mais tardar, a mudança do meretrício para o local chamado “o Gesso”, onde, vindo de Santana do Cariri, era esse mineral embarcado para Fortaleza pelo trem da então chamada Rede de Viação Cearense. Ficava distante do centro da cidade.
A criatividade popular batizou então o trecho abandonado da Rua Nelson Alencar com o nome de Rua da Saudade.
O último cabaré da cidade foi mantido pela chamada Madame Glorinha, que o povo espirituosamente batizou “O Reino da Glória”.
Eis aí o Crato na sua abrangência de cidade tipicamente humana.
Era assim em épocas que se foram.






