

Thales da Costa Pan Chacon nasceu em 23 de novembro de 1956, em São Paulo. Seu pai era um homem rico e tinha grandes expectativas para o futuro do filho.
Desde jovem, Thales sonhava em seguir carreira no teatro, embora seu pai desejasse que ele escolhesse uma profissão mais tradicional e segura.
Foi assim que, em 1975, Thales ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP).
Durante alguns anos, tentou seguir o caminho que o pai havia imaginado para ele, mas aquela não era a vida que realmente desejava.
Em 1978, depois de muita conversa, conseguiu convencer o pai de que seu verdadeiro sonho era se dedicar ao teatro.
O pai acabou aceitando a decisão e decidiu apoiá-lo. Deu a Thales os recursos necessários para viajar para a Bélgica, para estudar e se profissionalizar como artista.
Lá, aprofundou seus estudos com o renomado Maurice Béjart e também se tornou bailarino.
De volta ao Brasil, Thales começou a construir sua trajetória nos palcos e, pouco depois, chegou à televisão.
Sua estreia aconteceu em 1982, na minissérie “Avenida Paulista”, na TV Globo. Com seu talento, sua elegância e sua beleza, foi conquistando espaço e chamando a atenção do público.
Aos poucos, tornou-se um rosto conhecido da televisão brasileira e passou a transitar com facilidade entre o teatro, a dança, o cinema e a televisão.
Na televisão, participou de grandes produções e sucessos da época, como Fera Radical (1988), O Salvador da Pátria (1989), Meu Bem, Meu Mal (1990), Anos Rebeldes (1992), entre outros sucessos.
No cinema, viveu um de seus momentos mais marcantes em 1986, quando protagonizou “Eu Sei Que Vou Te Amar”, de Arnaldo Jabor, ao lado de Fernanda Torres. O filme teve grande repercussão e chegou ao Festival de Cannes, onde Fernanda Torres recebeu o prêmio de Melhor Atriz.
Na vida pessoal, Thales mantinha relacionamentos amorosos predominantemente com homens, mas preservava sua intimidade com discrição.
Em 1987, Thales recebeu o diagnóstico de HIV. A notícia foi mantida em absoluto sigilo. Além dele, apenas seu pai e seu médico sabiam.
Durante as filmagens de “Fera Radical”, em 1988, Thales e Carla Camurati se aproximaram. Os dois desenvolveram uma amizade muito forte nos bastidores e, essa amizade acabou se transformando em relação amorosa.
Quando o relacionamento se tornou mais sério, Thales contou a Carla que era portador do HIV. Carla não enxergou aquilo como algo que os impediria de viver uma história de amor ou de construir uma vida juntos.
Ela decidiu permanecer ao lado dele, e os dois acabaram se casando.
Carla descreveria Thales com enorme carinho, descrevendo-o como um homem maravilhoso, elegante, generoso, carinhoso e muito especial.
Os dois mantinham relações com preservativos e com todos os cuidados necessários para evitar a transmissão do vírus, e Carla nunca foi contaminada.
O casamento chegou ao fim em 1992, mas a separação não apagou o carinho que existia entre os dois. Thales e Carla continuaram muito próximos e mantiveram uma profunda amizade. Ela seguiu presente em sua vida e, nos últimos anos, esteve ao seu lado, cuidando dele e acompanhando-o até os últimos dias.
Mesmo enfrentando as complicações provocadas pela doença, Thales continuou trabalhando enquanto teve forças. Em 1997, participou de “Os Ossos do Barão”, do SBT, seu último trabalho em uma novela.
Thales Pan Chacon se foi em 2 de outubro de 1997, aos 40 anos, em São Paulo.
Foi somente após sua partida que o público tomou conhecimento de que Thales se relacionava com homens e enfrentava, em sigilo, o diagnóstico de HIV.






