

O que se sente aqui na Região do Cariri é um verdadeiro festival de decepções políticas. Coitados! Muitos daqueles que apostaram todas as suas fichas na vitória de Ciro Gomes (PSDB) para o Governo do Ceará estão agora a contemplar os escombros de seus projetos eleitorais. Sonharam com o poder, fizeram planos, desenharam estratégias e já se imaginavam desfrutando das benesses de uma administração estadual comandada pelo tucano. Só esqueceram de combinar com o eleitorado cearense. E deu no que deu!
Convenhamos que havia muito oportunista embarcando na candidatura oposicionista, daqueles que farejam o poder a quilômetros de distância e mudam de posição com a mesma facilidade com que trocam de camisa. Mas também existiam lideranças com alguma consistência eleitoral, ocupantes de presidências de câmaras municipais, vice-prefeituras e outros espaços políticos que vinham conquistando capilaridade em seus municípios. Essa gente precisava, e muito, daquele empurrãozinho do Governo do Estado para se tornar mais competitiva diante dos prefeitos que atualmente comandam as máquinas administrativas municipais.
Pois bem! O empurrão não veio, o sonho virou pesadelo e o que estamos observando é um mundo de desilusões, frustrações e projetos políticos que foram parar na lata do lixo da história eleitoral cearense. Sorry, periferia!
E o resultado dessa ressaca política está diante dos nossos olhos. Não se vê entusiasmo, movimentação ou disposição dessas lideranças derrotadas para colocar a campanha presidencial nas ruas do interior do Ceará, muito menos aqui no nosso amado Cariri.

Ora, se as próprias lideranças estaduais identificadas com o bolsonarismo praticamente desapareceram do cenário regional depois da derrota de Ciro Gomes, como esperar que seus seguidores interioranos encontrem disposição para levantar bandeiras, organizar manifestações e pedir votos para Flávio Bolsonaro? Sem comando, sem entusiasmo e, sobretudo, sem perspectivas imediatas de poder, a tropa parece ter perdido o rumo da batalha.
Enquanto isso, do outro lado da trincheira, o cenário é completamente diferente. O PT e as demais legendas do campo progressista não param, não param e não param! É movimentação política daqui, articulação dali, reuniões acolá e uma disposição eleitoral que parece não conhecer o significado da palavra cansaço.
Mas pudera! Camilo Santana, Cid Gomes, Domingos Filho, Romeu Aldigueri e Elmano de Freitas, entre outras lideranças que dão sustentação ao grupo governista cearense, estão empenhados em uma missão das mais ambiciosas: fazer com que o presidente Lula ultrapasse a marca dos 70% dos votos válidos no Ceará neste segundo turno presidencial.
E não se trata apenas de uma manifestação de simpatia política. Trata-se de demonstrar força, capacidade de mobilização, prestígio eleitoral e, principalmente, reafirmar a hegemonia desse grupo que há anos ocupa posição de destaque na política cearense.
Costuma-se dizer que não existe revolução sem liderança. E, guardadas as devidas proporções, também não existe campanha eleitoral vitoriosa sem comandantes dispostos a entrar em campo, mobilizar suas tropas e enfrentar as adversidades da disputa.
Aqui no Ceará, pelo que estamos observando, os líderes governistas estão nas ruas, articulando, conversando, arregimentando apoios e levando consigo seus liderados. Já uma parcela expressiva da oposição parece ainda estar procurando os pedaços dos sonhos que se despedaçaram nas urnas.
E política, meus queridos, não costuma ter muita paciência com quem fica parado lamentando derrotas. Enquanto uns choram o leite derramado, outros tratam de encher as urnas de votos!
Sendo assim, estamos para lá de conversados. E vamos que vamos, porque enquanto uns ainda procuram entender o que lhes aconteceu, outros já estão trabalhando para escrever o próximo capítulo da história política cearense.
Sorry, periferia política!!!!





