

Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan
Estava demorando. Como foi amplamente divulgado, na época da intentona de 8 de janeiro de 2023, uma parte do Alto Comando das Forças Armadas queria aderir ao golpe, a outra banda ouviu os alertas do governo de Joe Biden, trazidos pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, e o Assessor Especial do presidente americano, Juan González.
O recado era o de que estavam vendo com preocupação a democracia brasileira, mas acreditando que as Forças Armadas não participaram do golpe. Dito e feito. Diante de tal pressão, os militares recuaram, para preservar o que a crise de agora, a do “tarifaço”, ameaça colocar a perder.
Segundo o site Defesa Net, toda a caserna está em pânico e pressiona o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo avanço nas conversas com os EUA. O motivo é o mesmo que os levou a ficar fora do golpe: “temem as sanções e um eventual rompimento com os norte-americanos, o que pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, diz o site.
Com a linguagem de sempre, a que conhecem, que é espalhar o medo, enviam ao governo do presidente Lula, recados preocupantes: “sem a tecnologia americana, o Brasil pode ficar cego, surdo e vulnerável”, é o que dizem. De posse desse argumento, as Forças Armadas pressionam Lula por diplomacia com os EUA e avisam: “o tempo está se esgotando para evitar um apagão militar.” Não soa ao tom de Trump?
A matéria é assinada por Noel Budeguer e foi publicada hoje (22/07), coincidentemente, no mesmo dia em que a polêmica sobre a instalação de uma tornozeleira em Bolsonaro escalou, a ponto de uns e outros considerarem que ele poderia ser preso – risco, aliás, que se mostrou muito próximo de zero, dadas as ambiguidades deixadas pelo ministro Alexandre de Moraes, em sua decisão sobre as medidas cautelares que lhe deveriam ser aplicadas. A despeito de sua conduta à frente do processo sobre o golpe ter sido até aqui, impecável, nesse outro caso, o da cumplicidade com o filho, Eduardo Bolsonaro, contra o Brasil, no qual Bolsonaro ainda não é réu, deixou mesmo dúvidas sobre como controlar a publicação de possíveis entrevistas nas redes, sem atingir a liberdade de terceiros?
Voltando aos quartéis, os Comandos consideram, (segundo o site que publicou a matéria sobre a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos) que “esta não é apenas mais uma briga política internacional. Nos bastidores de Brasília, a tensão vem acendendo alarmes no alto comando das Forças Armadas, que hoje operam sob uma perigosa dependência de equipamentos, munições e sistemas tecnológicos norte-americanos”, descreve.
E continuando com a política do medo, apontam que o “o risco de sanções mais severas por parte do governo Trump reacende um temor silencioso: o Brasil pode, literalmente, ficar às cegas em caso de ruptura total com Washington”, diz o site.
Militares pressionam Lula por diplomacia urgente
De acordo com as informações reveladas pelo site DefesaNet, os principais comandantes das Forças Armadas têm feito forte pressão para que o presidente Lula “adote imediatamente uma postura mais pragmática e menos ideológica nas relações com os EUA”. O motivo? “Um eventual rompimento com os norte-americanos pode gerar um colapso logístico e operacional em todo o sistema de defesa nacional, atingindo Exército, Marinha e Força Aérea”, ameaçam, numa linguagem que conhecemos bem.
A matéria prossegue citando: “fontes militares ouvidas por bastidores do Ministério da Defesa apontam que a situação é crítica: diversos sistemas estratégicos como radares, comunicação criptografada, aviões de caça, embarcações navais e até munições dependem de peças e suporte técnico dos Estados Unidos. Sem isso, muitos desses equipamentos simplesmente deixam de funcionar”.
A ameaça parece ser real, mas talvez seja cedo para falar nesse tom, deixando antever um viés mais político do que de preocupação com o bom funcionamento do meio militar. Basta observar, por exemplo, o uso da caixa alta no intertítulo da matéria:
“PACIÊNCIA ZERO! MILITARES PRESSIONAM LULA POR TENSÃO COM OS EUA! FALTA DE PRIORIZAR NOSSAS INDUSTRIA”.






