

Vários fatores têm contribuído para a decadência da política brasileira. No entanto, um aspecto que ainda passa despercebido por grande parte da sociedade é a ascensão de figuras que transformaram a internet em trampolim para a vida pública. Valem-se, sem qualquer escrúpulo, desse poderoso instrumento de informação e interação para se locupletarem das circunstâncias e alimentarem projetos estritamente pessoais.
Em sua maioria, são indivíduos desprovidos da mais elementar compreensão sobre o verdadeiro significado da representação popular. Escorados na visibilidade proporcionada pelas redes sociais, fazem da estridência um método: atiram para todos os lados, atacam indiscriminadamente e desqualificam, sem o menor pudor, políticos sérios, homens e mulheres capazes de distinguir a boa política daquela movida por interesses escusos. Pessoas vocacionadas para esse métier acabam niveladas ao mesmo patamar daqueles que apenas enxergam na política uma oportunidade de projeção, enriquecimento e poder.
O objetivo desses personagens não é servir à coletividade, mas conquistar espaço para promover a desordem, desfigurar instituições e corroer, pouco a pouco, a essência da representação democrática. Alimentam-se da demagogia, fazem do sofisma uma ferramenta cotidiana e exibem uma ambição material que parece não conhecer limites.
Infelizmente, essas figuras abjetas já se incorporaram ao cotidiano nacional. São sustentadas por uma multidão de internautas desprovidos de senso crítico, pessoas que confundem alhos com bugalhos e aplaudem o espetáculo da ignorância como se fosse virtude. O resultado é devastador: cidades, estados e o próprio país caminham, gradativamente, para o fundo do poço.
O Congresso Nacional, as assembleias legislativas, as câmaras municipais e as prefeituras espalhadas pelo Brasil vêm sendo ocupados por personagens que, metaforicamente, assemelham-se a criaturas saídas dos esgotos, disseminando práticas que contaminam e degradam o ambiente político, enfraquecendo instituições e comprometendo a confiança da população.
O mais inquietante, porém, é assistir à rendição de pessoas que possuem discernimento e capacidade crítica. Muitos que deveriam defender uma atuação política responsável acabam seduzidos por esse modelo artificial, ruidoso e oportunista, passando a reproduzir os mesmos métodos que antes condenavam. Deixam-se envolver por uma política do espetáculo, na qual a aparência vale mais do que a competência, e a popularidade instantânea supera o compromisso com o interesse público.
O desfecho dessa trajetória é conhecido. Quando a política se converte em palco para vaidades, ambições e oportunismos, quem paga a conta é sempre o povo. Este continua relegado ao último plano, abandonado à própria sorte.
E, ao que tudo indica, para muitos dos protagonistas desse triste enredo, resta apenas uma mensagem: que o povo se exploda.
Sorry, periferia política!








