Humberto Mendonça – empresário

“Convivendo com uma crise fiscal ainda sem solução, o Brasil caminha para um estrangulamento fiscal absoluto”. Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI).
Ao reassumir a Presidência em janeiro de 2023, Luiz Inácio Lula da Silva fez a promessa
bombástica de “reconstrução do Brasil” (SIC). No entanto, a realidade do terceiro mandato se
distancia drasticamente do discurso. Quem esperava cortes de gastos, enxugamento da
máquina ou redução de privilégios viu o oposto: o aumento descontrolado do endividamento e o inchaço do Estado.
O desequilíbrio fiscal se aprofundou. Apesar de uma arrecadação recorde, a Dívida Bruta do
Governo Geral (DBGG) disparou e já alcança 77,5% do PIB, segundo dados recentes.
Economistas e instituições financeiras internacionais alertam que a trajetória é “galopante”,
projetando um peso ainda maior da dívida nos próximos anos e expondo o risco real de
colapso da máquina estatal.
O governo petista tem sido a gestão dos aumentos: o número de ministérios saltou de 22 para
37, inflando a estrutura do Executivo com cargos e despesas. Paralelamente, foram criados ou
ampliados 37 impostos, em uma farra tributária que atinge combustíveis, energia e até a
geração solar. Enquanto isso, o trabalhador brasileiro vê seu poder de compra diminuir.
Em vez de austeridade, o “presidente-operário” mantém um apetite insaciável por viagens e
mordomias. Os gastos da União com diárias e passagens atingiram o maior patamar em dez
anos em 2024, superando a marca de R$ 3,5 bilhões, com uma alta real de quase 3% em
relação ao ano anterior. Lula e a primeira-dama, Janja, viajam constantemente pelo Brasil e
pelo mundo, sempre com comitivas custeadas pelo erário público.
Essa política reflete a grande meta do seu governo: o populismo. A criação de benefícios como
Bolsa Família, Bolsa Gás e Bolsa Pé-de-Meia é, na prática, uma enganação. O cordelista Zé
Dantas e Luiz Gonzaga já diziam na canção “Vozes da Seca”: a esmola “ou vicia ou humilha o
cidadão”. Não haverá sempre um “bom pai” fazendo demagogia política em detrimento dos
valores da família e do setor produtivo. Países que prosperam valorizam a riqueza, o trabalho e
o empreendedorismo com dignidade. Todos os regimes de esquerda e comunistas que fizeram
o contrário mergulharam na miséria.
O cenário de irresponsabilidade fiscal se agrava com o prejuízo das estatais. As empresas
controladas pela União acumularam um déficit primário recorde, que já chega a cerca de R$ 18
bilhões desde o início do mandato. Os Correios, por exemplo, concentram perdas bilionárias e
dependem de socorro financeiro. Além disso, o próprio governo admitiu que só os desvios nas
aposentadorias do INSS superaram R$ 6 bilhões.
Lula assumiu o poder em 2023 com a economia estável, um legado do governo anterior que
havia controlado a inflação e fortalecido o Real. No entanto, o caminho escolhido foi o atalho:
prometer sem reformar, gastar sem limite e inchar o Estado, transformando-o em financiador
do clientelismo.
O resultado é a pior crise fiscal e institucional já vista. Há um clima de permissividade onde
Executivo e setores do Judiciário parecem atuar indiferentes à Constituição. A ideologia
comunista do PT se manifesta de forma frouxa, com a corrupção e o clientelismo dominantes
em todos os setores do governo. O exemplo da ruína de Cuba, que após mais de 60 anos de
ditadura e miséria se tornou um país mendicante, é um alerta. A grandeza de uma nação se
constrói com trabalho, educação e família. Esses são os valores que a esquerda brasileira
insiste em não valorizar.





