

Ainda hoje continuamos recebendo mensagens de repúdio ao comportamento adotado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate com o presidente Lula (PT), realizado no último domingo à noite, na Band TV.
E não é para menos! Segundo as manifestações que nos chegam, o que deveria ser um confronto democrático de ideias, propostas e projetos para o futuro do Brasil acabou também chamando a atenção pela postura do candidato bolsonarista.
Enquanto Flávio Bolsonaro fazia suas considerações, Lula permanecia tranquilamente em seu púlpito, respeitando o espaço do adversário e aguardando o momento de voltar a se manifestar. Já quando era o presidente da República quem estava com a palavra, o comportamento de Flávio, na nossa avaliação, deixava muito a desejar. Caminhava por trás do concorrente, fazia gesticulações desnecessárias e parecia mais interessado em provocar desconforto do que em demonstrar a serenidade que se espera de alguém que pretende governar uma nação da importância do Brasil.
Ora, minha gente, convenhamos! Uma coisa é a disputa política, por mais acirrada que seja. Outra, completamente diferente, é esquecer as regras elementares da boa educação, da civilidade e do respeito institucional. Afinal, Flávio Bolsonaro não estava debatendo com um adversário qualquer, mas com o presidente da República, a quem, independentemente das divergências partidárias, é devido o respeito inerente ao cargo que ocupa.
O que vimos, na nossa interpretação, foi uma mistura de aparente superioridade com nervosismo. Flávio não parava de esfregar as mãos, movimentava-se de um lado para outro e, em determinados momentos, parecia uma barata tonta, sem encontrar o lugar adequado para permanecer enquanto Lula apresentava suas considerações.
E o pior é que, para este colunista, o desempenho não se limitou à questão comportamental. As respostas do candidato oposicionista também deixaram muito a desejar. Em vez de enfrentar objetivamente os questionamentos, preferiu, em diversas ocasiões, recorrer a desvios de assunto e argumentos que pouco contribuíram para esclarecer o eleitorado.
Para completar o festival de constrangimentos, ficou sem uma resposta objetiva, aos nossos olhos, o desafio atribuído a Lula para que ambos abrissem seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Uma oportunidade que poderia ter sido aproveitada para demonstrar transparência diante dos milhões de brasileiros que acompanhavam o confronto.
A Presidência da República não é lugar para improvisações comportamentais, tampouco para demonstrações de arrogância ou atitudes que diminuam a grandeza do debate democrático. Governar o Brasil exige preparo intelectual, equilíbrio emocional, capacidade de diálogo, respeito às instituições e, sobretudo, compostura.
E foi justamente essa compostura que, na avaliação deste colunista, faltou ao senador Flávio Bolsonaro naquela noite.
Se a intenção era transmitir segurança, autoridade e preparo para ocupar a cadeira mais importante do Palácio do Planalto, o resultado que percebemos foi exatamente o contrário. O candidato saiu do debate deixando uma impressão que dificilmente recomenda alguém para tão elevada responsabilidade.
Porque uma coisa é desejar ser presidente do Brasil. Outra, muitíssimo diferente, é demonstrar que possui a estatura política e comportamental necessária para exercer o cargo.
Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!!!!





