

Não suporto mais tantas notícias sobre artistas que, para se apresentarem em cidades brasileiras, precisam contar com aportes de dinheiro público. Chega dessa farra, gente boa. Em um país com sistemas de saúde e educação falhos, com gente passando fome e enfrentando as mais variadas privações, e com uma população quase 100% inadimplente com seus compromissos financeiros, é revoltante ver prefeitos, governadores e o presidente da República empanturrando os bolsos de cantores, atores e afins com dinheiro público. Isso é algo que se observa apenas em países de terceiro ou quarto mundo.
Mas vocês sabem a razão de essa gente, que detém as chaves dos cofres públicos, não querer parar com essa farra louca? Digo-lhes: grande parte desses cachês milionários vai para os bolsos dos próprios políticos. Como se não bastasse, de uns tempos para cá virou moda deputado federal e senador conseguirem emendas parlamentares para também bancarem essas orgias financeiras.
Gente, desde que entrei na adolescência, meus pais já me diziam: vai a festas quem tem dinheiro sobrando; em primeiro lugar vêm as responsabilidades maiores de uma casa. Que as festas aconteçam como antigamente, promovidas por meio de patrocínios e com o apurado das bilheterias. Ia quem podia; quem não podia ficava em casa ou se divertia de outra forma, em outra onda social.
Hoje em dia, peças de teatro, lançamentos de livros, documentários, shows artísticos, comemorações de tempo de carreira de cantores, cantoras, atrizes e atores, festas juninas, carnavais e todo o resto — que ganharam, sabidamente, o status de eventos de cunho cultural — levam uma montanha de dinheiro dos cofres públicos, para no final faltar tudo o que é essencial para proteger das agruras da vida a nossa sofrida população brasileira.
Ah, uma jaula! Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia!






