

Interessantíssimo e cheio de satisfação. É assim que descrevo o que acontece comigo em todas as eleições. Quando a campanha pega fogo e as pessoas mais aguerridas entram naquela fase de se estressarem e até se tornarem de difícil convívio social, procuro me afastar desse tipo de ambiente.
Mas adoro o outro lado da corrida eleitoral. Refiro-me àquelas pessoas mais tranquilas, racionais e equilibradas que geralmente me procuram para saber a minha opinião sobre a campanha em evidência. São pessoas que não se apaixonam por candidaturas a ponto de perderem a capacidade de enxergar, com certa neutralidade, o andamento da peleja política.
Elas conseguem admitir o óbvio, que é a realidade dos fatos. Percebem quando o candidato de sua preferência não está sendo correspondido pela população como se esperava e ficam antenadas em outros nomes que, até então, talvez nem tivessem sido devidamente submetidos à luz da razão e da avaliação de nossa gente.
Mas o que gosto mesmo é de ser abordado por aqueles que andam um tanto perdidinhos: os famosos indecisos, que buscam, a todo custo, informações junto a pessoas que julgam capazes de ajudá-los a formar uma opinião.
Nessas ocasiões, procuro conversar expondo razões bem fundamentadas, com equilíbrio e clareza, apresentando aquilo que penso sobre o momento político, mas sem forçação de barra. Faço isso com a maior honestidade possível e os deixo absolutamente à vontade para refletirem. Que minhas ponderações lhes sirvam apenas como um farol no caminho até que possam chegar, por conta própria, a uma decisão consciente e acertada.
Hoje mesmo, durante o meu cooper diário, quando saio beirando o Canal do Rio Granjeiro e sigo até a Central de Abastecimento Walter Peixoto, fui interpelado por cinco pessoas interessadas em me ouvir para, a partir daí, ajudarem a formar suas próprias opiniões.
Digo a vocês uma particularidade: não gosto muito de ser interrompido durante o meu cooper. Mas, quando se trata desse tipo de abordagem, não me incomodo. Pelo contrário, faço questão de parar, ouvir e conversar, pois considero isso uma verdadeira ação cívica.
Afinal, infelizmente, boa parte de nossa gente ainda vota muito mal. E talvez esteja aí uma das razões pelas quais a política tenha sido invadida por tantos personagens que enxergam a vida pública apenas como oportunidade para se aproveitar do dinheiro público, deixando o interesse coletivo em último plano.
Por isso, quando alguém me procura querendo conversar seriamente sobre política e buscando elementos para fazer uma escolha consciente, dou atenção, sim. Democracia também se constrói assim: conversando, ouvindo, refletindo e, principalmente, escolhendo com responsabilidade.
Sendo assim, estamos mais do que conversados.
Sorry, periferia política!!!!!






