

Mãe é mãe, filho é filho, mas filho tem irmão — e nem sempre irmão é irmão. Entendam, entendam.
Depois que o patriarca da família Ferreira Gomes, o ex-prefeito de Sobral José Euclides Ferreira Gomes, faleceu, a matriarca, dona Maria José, conseguiu, até os últimos dias de sua vida aqui na Terra, manter os filhos unidos, camaradas, amigos. Mas dona Maria José se foi para o além, e suas orientações já não perduram entre os filhos.
Ciro Gomes, com seu jeito destemperado e egocêntrico ao extremo, nas eleições estaduais passadas resolveu impor sua candidatura ao governo do Estado na sucessão de Camilo Santana. Exigiu que Cid Gomes, Camilo Santana e os aliados naturais — o deputado federal e presidente do MDB, Eunício Oliveira; o presidente do PSD e ex-vice-governador Domingos Filho; a ex-prefeita Luizianne Lins; e o então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva — aceitassem sua decisão ou pulassem fora. E foi exatamente isso que fizeram, na tentativa de não implodir uma aliança política até então imbatível em nosso Estado.
Tentaram, de todas as maneiras, sustentar a candidatura à reeleição da governadora “tampão”, Izolda Cela. Não foi possível. Partiram, então, para a opção Elmano de Freitas, que conseguiu agradar a todos — menos a Ciro. Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e maior incentivador de Ciro nessa batalha inglória e ilógica, conseguiu viabilizar sua própria candidatura, embora ela não agradasse a ninguém do grupo situacionista à época.
Sem denominador comum, Ciro Gomes partiu para a oposição, puxando a tiracolo Roberto Cláudio, seu candidato, que foi fragorosamente derrotado, ficando na lanterninha da disputa — ou seja, em terceiro lugar. Elmano de Freitas largou na pole position e arrematou a vitória já no primeiro turno. Capitão Wagner ficou na segunda posição, mas distante — milhas e milhas — do vencedor.
Nestas eleições de 2026, quando pensávamos que Ciro teria aprendido a lição, eis que se autodefine como o opositor number one do mesmo grupo. No entanto, sem conseguir desmantelar o esquema montado por Camilo Santana e Cid Gomes, passa a tergiversar sobre se terá ou não coragem de enfrentar aqueles que se consolidaram, perante o povo cearense, como os manda-chuvas do lugar.
Diante do “chove, não molha” de Ciro Gomes em aceitar empunhar a bandeira do “eu sou a força, sou invencível” — e mais, com a decisão do irmão Cid Gomes de encará-lo em mais um de seus extremismos —, o filho político mais velho de seu José Euclides anda vacilando. Não enxerga, na direita que imaginava ser o contraponto de sua candidatura ao governo do Estado, a fortaleza necessária para se contrapor aos ex-aliados. Ciro descobriu que comprou gato por lebre, pois a direita se mostrou dividida entre o bloco de André Fernandes e Capitão Wagner e o do senador Eduardo Girão, que tenta conter a onda que poderia sufocar os direitistas mais autênticos em nome de interesses meramente paroquiais — quais sejam, as candidaturas de Capitão Wagner e de Alcides Fernandes ao Senado. A engrenagem não funciona, e Ciro Gomes já percebeu isso — daí ainda não ter assumido mais essa peleja, por não vislumbrar uma centelha de esperança de vitória nessa empreitada.
Diante disso, ficam os aliados do interior: vice-prefeitos que sonham em engolir seus prefeitos; ex-prefeitos cheirando a naftalina, sonhando em voltar; e políticos derrotados em suas cidades tentando pegar carona nos ombros do primogênito de dona Maria José. O que se vê são políticos sem densidade nem consistência eleitoral produzindo vídeos de adesão a Ciro Gomes. São uns pobres diabos. Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, preferia política!
EM TEMPO: Ciro e Cid Gomes protagonizam cenas que se resumem mais ou menos assim: “A política separou aquilo que o sangue uniu.” É fato que houve um distanciamento político irreversível entre os irmãos — divergências de posição, caminhos distintos, estratégias diferentes.







