

O resultado das eleições de domingo (4) deixou um gosto amarguíssimo para o PSDB cearense, especialmente para o grupo de parlamentares que resolveu engrossar o caldo da oposição ao governador Elmano de Freitas (PT). Dos seis deputados estaduais que se alinharam ao projeto político do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), nenhum conseguiu renovar o mandato na Assembleia Legislativa do Ceará.
E olhem que não estamos falando de políticos principiantes, não, senhor! Estamos falando de parlamentares experientes, alguns com longa trajetória política e outros que chegaram ao Legislativo estadual com votações expressivas em 2022.
Foram derrotados Queiroz Filho, Cláudio Pinho, Felipe Mota, Sargento Reginauro, Antonio Henrique e Heitor Férrer. Todos ingressaram no PSDB em 2026, embalados pela reorganização partidária que acompanhou o retorno de Ciro Gomes à disputa pelo Governo do Ceará.
Mas vejam bem como são as coisas na política! Cláudio Pinho, que em 2022 conquistou nada menos que 82.267 votos, desta feita conseguiu apenas 35.127. Antonio Henrique, que havia alcançado 67.148 votos, caiu para 25.242. Já Queiroz Filho, que tinha conseguido 64.374 votos, terminou a disputa com 35.768.
E não parou por aí! Sargento Reginauro caiu de 41.635 para 27.656 votos; Felipe Mota passou de 36.949 para 32.767; e o veterano Heitor Férrer, que em 2022 havia conquistado 33.915 votos e ficado na suplência, recebeu agora 22.016 votos.
Quer dizer, minha gente, os seis parlamentares sofreram redução em suas votações individuais. Um resultado que merece ser analisado com bastante atenção por aqueles que pretendem compreender os novos caminhos da política cearense.
E sabem quem escapou dessa verdadeira tempestade eleitoral? A deputada Emília Pessoa, que conseguiu renovar seu mandato. Coincidência ou não, ela adotou ao longo da legislatura uma postura menos agressiva em relação ao governo estadual, diferentemente dos colegas que fizeram oposição sistemática ao governador Elmano de Freitas.
Na próxima legislatura, Emília terá como companheiros de bancada os estreantes Davi Benevides e Felipe Vasques, este último presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte.
Aliás, Felipe Vasques já começou a experimentar os dissabores da vida pública em um momento delicado, diante das notícias de uma operação da Polícia Federal relacionada a uma investigação eleitoral. Naturalmente, investigação não significa condenação, e os fatos deverão ser devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes.
Agora, uma coisa precisa ficar bem esclarecida: não se pode atribuir exclusivamente ao posicionamento oposicionista a derrota dos seis parlamentares. Afinal, o sistema proporcional, a composição das chapas, o desempenho partidário e a distribuição dos votos também influenciam diretamente os resultados.
Entretanto, politicamente, o episódio representa um revés considerável para o grupo que apostou suas fichas no retorno de Ciro Gomes ao comando do Palácio da Abolição.
O ex-governador perdeu a disputa para Elmano de Freitas e viu seis aliados que integravam a Assembleia Legislativa ficarem sem mandato.
E vou dizer mais uma coisa: em política, não basta ter discurso forte, fazer oposição barulhenta e acreditar que a popularidade de uma liderança será suficiente para garantir votos. É preciso construir bases eleitorais sólidas, preservar alianças e, sobretudo, compreender o sentimento do eleitorado.
O PSDB terá agora pela frente o desafio de reorganizar suas forças, avaliar os equívocos cometidos e encontrar um caminho para recuperar o espaço político perdido.
Porque, convenhamos, perder uma eleição majoritária já é um golpe considerável. Mas assistir à derrota simultânea de seis parlamentares experientes, todos vinculados ao mesmo projeto oposicionista, é um recado das urnas que não pode ser simplesmente ignorado.
E estamos para lá de conversados!






