

Para este colunista, que nasceu praticamente dentro da casa de um político — afinal, meu tio Walter Peixoto adotou esse modo de viver e como viveu! —, seria praticamente impossível não ter aprendido um bocado das nuances que costumam permear essa verdadeira onda chamada campanha política.
Hoje saí pelas ruas do Crato e de Juazeiro do Norte e só o que me falaram foi sobre as mais esdrúxulas apostas políticas. No calor da campanha aqui no Ceará, muitos foram os que apostaram, livres, leves e soltos, na vitória do ex-governador Ciro Gomes, que nestas eleições disputa novamente o comando do Palácio da Abolição.
Diante do quadro que, em determinados momentos da campanha, lhe foi bastante favorável, o nome de Ciro virou prato cheio para os chamados “reis das apostas”. E tome palpite!
Que Ciro venceria Elmano no primeiro turno com não sei quantos votos de maioria; que Elmano iria desistir da candidatura e Camilo Santana assumiria as rédeas da campanha; que Cid Gomes estaria fazendo corpo mole para uma recandidatura ao Senado porque, no fundo, queria mesmo era voltar a governar o Ceará; que Yury do Paredão tiraria mais votos do que André Fernandes; que José Ailton Brasil seria o único candidato cratense a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa; que Aloísio Brasil ficaria na última colocação, em termos de votos, na disputa pela Câmara Federal…
Enfim, o que existe de aposta — algumas delas envolvendo quantias bem robustas — não está no gibi! E o perigo é justamente esse: muita gente poderá perder aquilo que não pode se dar ao luxo de perder.
Tem um cidadão, morador do bairro Vila Alta, no Crato, que apostou uma dinheirama acreditando que Yury do Paredão será o deputado federal mais votado do Ceará, ultrapassando André Fernandes. Agora, segundo me contam, já começou a fazer suas contas e tenta encontrar uma maneira de evitar o possível prejuízo dessa aposta. Só que a grana já está nas mãos de uma terceira pessoa, na condição de fiel depositário. E aí, meu amigo, como diz o velho ditado: Inês é morta!
Esse mesmo cidadão anda sondando Deus e o mundo atrás de quem queira entrar numa aposta envolvendo Ciro Gomes e Elmano de Freitas na disputa pelo Governo do Ceará.
Mas uma coisa precisa ficar bem clara: aposta de rua não é pesquisa eleitoral e muito menos urna aberta antes da hora. Pesquisa é fotografia de determinado momento, possui metodologia e margem de erro; conversa de calçada e dinheiro colocado na mesa revelam, quando muito, a confiança — ou a falta dela — de quem está disposto a apostar.
E esta reta final está mostrando justamente como a política é dinâmica. Houve momentos em que Ciro apareceu com vantagem expressiva em levantamentos; depois, Elmano cresceu, e pesquisas mais recentes passaram a mostrar uma disputa bastante apertada entre os dois.
Portanto, quem transformou convicção política em aposta financeira talvez passe estes últimos dias fazendo conta, rezando e olhando pesquisa nova com o coração saindo pela boca.
Domingo, entretanto, acaba a conversa. Quem dará a resposta será o eleitor, diante da urna.
Até lá, cuidado com as apostas, porque eleição se ganha com voto contado — e não com dinheiro colocado sobre a mesa.
Sendo assim, vamos em frente, porque domingo é dia de eleição e, enquanto os cães ladram, a carruagem passa bem bonitinha.
Sorry, periferia política!!!!







