CONTAGEM REGRESSIVA: CABO ANSELMO, O INFILTRADO DA CIA DE QUEM MEU PAI JÁ DESCONFIAVA

Banner_PMB_21.09.2026_SEMANA_DO_TRANSITO_480x480px
WhatsApp Image 2026-06-16 at 15.28.42
480x480-_Banner_SITE_FESTIVA_POP_ROCK
Screenshot

HENRIQUE PINHEIRO

Rio de Janeiro, noite de 25 de março de 1964.

Faltavam seis dias para o golpe.

Meu pai, João Pinheiro Neto, presidente da SUPRA, Superintendência de Política Agrária, órgão responsável pela execução da política de reforma agrária do governo João Goulart, conversava com Tancredo Neves, ex-primeiro-ministro e então deputado federal, na cobertura de Tancredo, na Rua Rodolfo Dantas.

Eram cerca de onze e meia da noite quando o telefone tocou.

Era o presidente João Goulart.

Jango precisava falar com Tancredo com urgência e decidiu ir pessoalmente até o apartamento.

Meu pai levantou-se para sair, mas Tancredo pediu que ficasse.

Pouco depois, Jango chegou. Cansado, acendeu um cigarro, pediu um uísque e confessou:

“Meus amigos, estou vivendo a hora mais grave do meu Governo.”

A crise dos marinheiros o colocara diante de um impasse.

Tancredo advertiu que Jango precisava punir os insubordinados e não comparecer à reunião dos sargentos no Automóvel Clube.

Jango então se virou para meu pai:

“E tu, Pinheiro, que estás aí quieto, sem dizer nada, logo tu que gostas tanto de falar?”

Meu pai respondeu:

“Desconfio muito desse tal de Cabo Anselmo, que surgiu ninguém sabe de onde…”

Meu pai sustentaria mais tarde que Cabo Anselmo, então líder dos marinheiros, era um infiltrado da CIA.

Já passava da meia-noite quando Tancredo fez uma advertência ainda mais grave:

“Se você for ao Automóvel Clube e anistiar a todos, garanto que seu governo talvez não chegue ao final do mês.”

Depois que Jango partiu, meu pai perguntou:

“Dr. Tancredo, o que o senhor acha que o Jango vai fazer?”

“Sinceramente, não sei.”

Jango decidiu.

Anistiou os marinheiros.

E compareceu ao Automóvel Clube.

A previsão de Tancredo se cumpriria.

Cinco dias depois daquela madrugada, começava o golpe.

Este relato faz parte do livro Jango: um depoimento pessoal, escrito por meu pai, João Pinheiro Neto, e publicado pela Editora Record em 1993.

Foto: João Pinheiro Neto, ao centro, entre o ex-presidente Juscelino Kubitschek, à esquerda, e o general Nélson de Melo, à direita, ex-ministro da Guerra de João Goulart. Meses depois, já marechal da reserva, Nélson de Melo participaria da Marcha da Família com Deus pela Liberdade e, em 31 de março de 1964, atuaria ao lado dos militares que se levantaram contra o governo Jango. Arquivo pessoal da família.

Screenshot

Esta gostando do conteúdo? Compartilhe!

sobre

Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

© 2022 – CARIRI É ISSO.  by Valdi Geraldo.

plugins premium WordPress